Renda fixa perde, mas ainda atrai
Renda fixa
perde, mas
ainda atrai
TBC voltou ao nível do mês de outubro
Agência Estado
Arquivo FolhaNegócio de futuroAções voltam a ser atraentes para a compra, mas não para o curto prazo porque estão expostas à influência externa e às contas internas A redução das taxas de juros, indicada pelo corte na Taxa Básica do Banco Central (TBC) de 23,25% ao ano para 21,75%, achata também o rendimento das aplicações de renda fixa, remuneradas por juros, como CDBs, fundos de investimento e caderneta. O encolhimento da rentabilidade não significa, contudo, que essas aplicações deixaram de ser interessantes e os recursos devam ser deslocados para a renda variável, como as ações.
A taxa de juro líquida de 15% a 16% ao ano, referenciada nessa TBC de 21,75%, pode ser considerada ainda bastante atraente, na avaliação de Luiz Stuhlberger, diretor de Investimentos da Hedging-Griffo Asset Management. O aplicador continua sendo contemplado com excelente taxa, se comparada com a inflação virtualmente zero ou em torno de 3% ao ano.
O corte da semana passada trouxe a TBC próxima da de 20,7%, em vigor em outubro, quando o agravamento da crise asiática e seus efeitos sobre a economia doméstica levaram o Banco Central a dobrar os juros internos. Desta vez, no entanto, Stuhlberger não prevê maciço deslocamento de recursos aplicados na renda fixa para o mercado de ações, como no ano passado. O persistente recuo dos juros estimulou forte migração dos recursos para as ações, no primeiro semestre de 1997, até que o mercado trombou com o início da crise asiática. O investidor está mais maduro para conviver com juros menores, sem fugir precipitadamente para a Bolsa, embora deva ocorrer migração gradual, como diversificação.
Segundo ele, é indicado o deslocamento de 10% a 20% do dinheiro para as Bolsas, como investimento de longo prazo, porque no curto prazo as ações não tendem a oferecer bom retorno. A sugestão do diretor da Hedging-Griffo na renda fixa são os fundos de investimento, principalmente o de 60 dias, e a caderneta. Mas além da rentabilidade, de certa forma semelhante entre elas, o investidor deve fazer a escolha considerando também a liquidez, a oportunidade de fazer saques em curtos períodos de tempo, recomenda.
Os preços das ações estão atraentes para compra, mas quem investir em Bolsa não deve contar com rápida valorização dos papéis. No curto prazo, pelo menos até o fim do ano, as Bolsas domésticas estarão fortemente expostas à influência dos acontecimentos no cenário internacional e ao comportamento da Bolsa de Nova York. O equilíbrio do déficit fiscal interno, mediante adequação dos gastos públicos às receitas com a evolução das reformas econômicas, é também considerada condição para uma valorização mais consistente das Bolsas.





