Ainda que a queda dos juros tenha sido maior do que esperava o mercado, o rendimento pago pelas aplicações de renda fixa vai continuar bastante interessante, avalia o diretor de Investimentos do Banco HSBC Bamerindus, Luís Eduardo de Assis.
Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu o mercado. A TBC (o piso do juro) caiu de 37,99% ao ano (2,72% ao mês) para 34,5% (2,50% mensais). Os analistas acreditavam que a TBC ficasse na casa de 36%. Já a TBAN (o teto do juro) caiu de 43% ao ano (3,03% ao mês) para 42% (2,97% ao mês). Assis lembra que, mesmo com a redução para 34,5% do piso do juro da economia, a taxa de juro real (acima da inflação) vigente no Brasil continua a mais alta do mundo.
Por entender que a tendência dos juros é declinante, ele indica os fundos de 60 dias prefixados como as melhores opções de investimento. Esses fundos são melhores opções quando as taxas estão em queda, uma vez que, nos fundos DI (atrelados à variação do CDI, título trocado pelos bancos), a rentabilidade acompanha a oscilação dos juros - atualmente em trajetória descendente. Já a caderneta de poupança, ainda que ofereça rentabilidade acima da inflação, deverá perder tanto dos CDBs quanto dos fundos de 30 e 60 dias, por conta das mudanças na fórmula de cálculo do redutor da Taxa Referencial .
Em relação à crise asiática, que ainda está longe de uma definição, Assis acredita que o pior já passou. Para ele, há uma ‘‘fragmentação’’ da crise: os comentários voltam-se à situação isolada de cada país, e não da região toda.
O diretor do HSBC também acha improvável uma correção drástica da Bolsa de Nova York, hipótese admitida por analistas, em razão da expressiva valorização apurada pelo Índice Dow Jones nos últimos anos, que poderia afetar os mercados acionários de todo o mundo. ‘‘Não há nenhuma tragédia à vista’’.
Diferentemente de alguns analistas, Assis vê com bons olhos as perspectivas para as Bolsas este ano.
Ele aponta as ações dos setores de telecomunicações e energia elétrica como as de potencial mais promissor. Assis também diz que as empresas de saneamento básico e de gás devem ter bom desempenho. Todos esses quatro setores pouco sofrem com a desaceleração da atividade econômica, a qual deve ocorrer no primeiro semestre.

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