Renda fixa oferece rendimento negativo, mas é opção segura
O IGP-M de 3,61%, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas na semana passada, confirmou as previsões de que as aplicações de renda fixa tiveram rendimento real negativo em fevereiro. Isso tende a repetir-se em março e abril, caso o Banco Central (BC) mantenha os juros estacionados em 39% ao ano. Com isso, muitos investidores começam a cogitar a troca de aplicação financeira, a migração para ativos reais, como dólar e imóveis, ou até mesmo o saque para o consumo. Mas os especialistas entendem que essa estratégia é contra-indicada, já que o mais provável é que a inflação só fique acima do rendimento das aplicações no máximo até maio. Em períodos mais dilatados, CDBs, fundos e mesmo a caderneta tendem a pagar juros reais consideravelmente elevados.
O economista-chefe do Forex - Centro Brasileiro de Orientação de Finanças Pessoais, Marcos Silvestre, diz que, para o pequeno e médio investidor, não há alternativa melhor que a renda fixa, opinião compartilhada por outros especialistas (leia abaixo). E, nesse segmento, a melhor opção são os fundos DI, que são mais seguros por seguir a oscilação dos juros. Além disso, trocar de aplicação tem custos que tornam a manobra pouco indicada.
Silvestre afirma ainda que é fundamental ter dinheiro aplicado no momento, uma vez que a recessão deve continuar nos próximos meses, provocando o aumento do desemprego. O economista-chefe do Forex lembra que o brasileiro não costuma precaver-se contra esse risco. Segundo ele, a maioria das pessoas não tem uma reserva financeira para enfrentar essa possibilidade.
A compra de dólar ou a aplicação em fundos cambiais tampouco parece recomendável. A tendência do dólar é recuar daqui para a frente, diz Silvestre. Quem atrelar os investimentos à moeda norte-americana corre o risco de perder dinheiro.
O executivo do Forex também não recomenda a compra de imóvel como investimento. Ele lembra que se trata de um ativo com baixa liquidez, difícil de vender de uma hora para outra. Além disso, os custos de corretagem e de transferência encarecem o negócio. Na venda, há o Imposto de Renda, caso o negócio seja efetuado com lucro. Por tudo isso, só é opção para quem tem muito dinheiro e pode investir por prazos longos.
O economista-chefe do BankBoston, José Antonio Pena, faz ainda outra ponderação, mostrando que, dependendo do índice de preços usado, pode não haver rendimento real negativo nos próximos meses, mas ganho. Segundo ele, o índice mais adequado para comparar com o rendimento das aplicações é o Índice de Preços ao Consumidor (IPC). No IGP-M, o peso do IPC é de 30%, bem menor que os 60% representados pelo Índice de Preços ao Atacado (IPA). Os outros 10% cabem ao Índice Nacional da Construção Civil (INCC). A alta do IPC foi de 0,97%, enquanto a do IPA somou 5,82%. Se comparadas com a variação do IPC, as aplicações financeiras tiveram rendimento real positivo.





