Arquivo FolhaPara não perder dinheiro, investidor está migrando dos fundos variáveisApenas um fato novo pode estimular novamente o interesse pelas ações e pôr fim às instabilidade nas Bolsas de Valores. A principal expectativa está voltada à definição do modelo de privatização do sistema Telebrás, prometida para a virada de outubro. Mas nem mesmo essa possibilidade tem dado alento ao mercado, frustrado com a escassez de novidades nas repetidas entrevistas do ministro Sérgio Motta, das Comunicações.
Para os investidores, a opção às Bolsas são as aplicações de renda fixa, em que o juro, embora nominalmente baixo, é suficientemente elevado diante da inflação corrente, perto de zero. Fundos de investimento de 60 e 30 dias são os mais indicados.
O desinteresse pelo investimento em ações ficou estampado no esvaziamento dos pregões, pelos acentuados cortes no volume de negócios. Sem compras de capital estrangeiro e dos fundos de investimento, que acolhem pequenos e médios investidores, a Bolsa tem sido movimentada apenas pelos investidores que embolsam ganhos com giro rápido de papéis.
Um evento e duas expectativas tendem a provocar instabilidade no mercado de ações em outubro. O primeiro é o vencimento de contratos futuros de Índice Bovespa (IBovespa), dia 15, e de exercício de opções, dia 20. Pelo lado das expectativas, há certa apreensão com a forte ampliação do déficit da balança comercial, projetado em torno de US$ 1,5 bilhão para outubro. Outro foco de interesse é a dança das filiações partidárias que poderão clarear os nomes de potenciais candidatos à eleição presidencial no próximo ano. A entrada em cena do ex-ministro Ciro Gomes, e sua virtual candidatura com a filiação ao Partido Popular Socialista (PPS), sugeriria maiores dificuldades ao presidente Fernando Henrique Cardoso para chegar ao segundo mandato. Uma possibilidade que pode redobrar a cautela do investidor externo, pelo temor de mudanças na política econômica.
O comportamento recente das ações tem confirmado o prognóstico de que, depois das vistosas valorizações do primeiro semestre, as Bolsas dariam mais atenção a fatos negativos, até pela ausência de novidades positivas. A Bolsa de São Paulo, que chegou a apurar rentabilidade de até 93,3% no ano na melhor fase, teve a valorização cortada para 63,8%.
O cenário externo mais calmo, com a acomodação da crise cambial nos países asiáticos, tampouco tem encorajado a procura por ações, aparentemente por causa da instabilidade da Bolsa de Nova York. Em tese, apenas a percepção de que os preços das ações estão atraentes poderia atrair compras nas Bolsas.

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