Renda fixa continua sendo melhor opção
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segunda-feira, 08 de dezembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
Arquivo FolhaInstabilidadeBolsas: mercado teve bom desempenho na semana passada, mas ainda é cedo prever retomada das altas Com juros bastante elevados e quadro ainda indefinido nas Bolsas, o pequeno e médio investidor têm nas aplicações de renda fixa a melhor opção para aplicar seu dinheiro, analisa o diretor-executivo do Banco AGF-Braseg, Kazuhiro Miyamoto.
Ele entende que as taxas de juro estão em queda, conforme indicação dada pelo Banco Central (BC) ao reduzir a TBC e a TBAN (piso e teto do juro) este mês. Mas, ainda que aposte na queda dos juros nos próximos meses, Miyamoto recomenda uma estratégia cautelosa ao investidor.
Para ele, os fundos de 60 dias DI (que seguem a variação do CDI, título trocado pelos bancos) permanecem as opções mais indicadas. Essas aplicações seguem a oscilação dos juros, e tendem a ser menos rentáveis que os fundos prefixados quando as taxas estão recuando. Mas, como acredita que a situação ainda não está totalmente tranquila, Miyamoto indica os fundos DI por sua segurança e também pela boa rentabilidade.
A mudança na tributação das aplicações financeiras a partir do ano que vem pode acabar prejudicando os fundos, pois o recolhimento do imposto será semanal, e não mais no resgate, o que afetará a rentabilidade para quem aplica por prazos mais longos. Por conta disso, grandes investidores podem acabar preferindo os CDBs, pois o recolhimento do tributo nessas aplicações continuará sendo feito apenas no momento do saque, fazendo com que os títulos bancários tendam a render mais em períodos dilatados.
As Bolsas apresentaram um bom desempenho na semana passada, mas ainda é prematuro falar em retomada da trajetória de alta. Para Miyamoto, esses mercados tendem a apresentar comportamento instável no curto prazo. Se a crise japonesa não afetar os Estados Unidos e o governo brasileiro conseguir baixar com mais rapidez as taxas de juro, a medida que as reformas constitucionais forem aprovadas, a situação para os mercados de ações tende a melhorar. Nos últimos meses, o preço de muitas ações caiu bastante. O diretor do AGF-Braseg acredita que os fundos com predomínio de papéis de estatais (os mais negociados) deverão retomar mais rapidamente a valorização. A perspectiva de privatização dessas empresas deve dar alento as Bolsas nos próximos meses.
Mas, para ainda quem não tem dinheiro aplicado nas Bolsas, Miyamoto entende que o momento não é apropriado para o investimento em ações, em virtude do quadro de instabilidade.
Poupança A caderneta permanece isenta de Imposto de Renda. Ainda assim, tende a render menos que os fundos de 30 e 60 dias, mesmo com a nova taxação sobre essas aplicações em 1998. A razão está na forma de cálculo da TR, a qual reduz bastante o rendimento da caderneta a partir deste mês.
A TR de determinado dia e calculada com base na média das taxas de juro de CDB emitidos naquele dia. Sobre essa média é aplicado um redutor, fixado também sobre a média das taxas de CDB, mas dos últimos cinco dias do mês anterior. Como as taxas estão em declínio, um redutor elevado, de 1,47% este mês, esta sendo aplicado sobre uma taxa média menor. O resultado é uma TR menor e, consequentemente, tambem um rendimento menor para a caderneta. De todo modo, a caderneta continua com bom ganho real (acima da inflação).


