France PresseClima de incertezasOperador da Bolsa de Tóquio gesticula no pregão de sexta-feira: principal problema para os mercados acionários é a impossibilidade de apontar para quando as turbulências na Ásia vão chegar ao fim Por conjugar segurança e juros elevados, as aplicações de renda fixa são indicadas pelo diretor de Análise Econômica do Banco BMC, Marcelo Allain. As Bolsas, avalia, passam por um momento de forte instabilidade, em virtude do recrudescimento da crise asiática. Para ele, o risco oferecido pelo mercado acionário é alto demais, levando em conta os juros oferecidos por aplicações seguras como fundos e CDBs.
Mesmo com o agravamento da situação asiática, o diretor do BMC acredita que o Banco Central (BC) vai continuar reduzindo as taxas de juro, de forma gradual. Para ele, a queda nas taxas deverá ser feita de forma mais lenta do que o previsto, mas ainda assim a tendência é declinante.
Allain entende que os fundos prefixados são as melhores opções no momento. Ainda que os títulos prefixados já carreguem uma expectativa de queda dos juros, ele diz que um fundo prefixado tende a ser mais rentável do que um fundo DI (que segue a variação do CDI, título trocado pelos bancos).
Além dos juros altos, que atraem recursos para a renda fixa e prejudicam a atividade econômica, afetando a lucratividade das empresas, os novos solavancos registrados no Sudeste Asiático também contribuem para atrapalhar o desempenho das Bolsas.
O diretor do BMC diz que um dos principais problemas para os mercados acionários é que não é possível apontar quando as turbulências na região chegarão ao fim. ‘‘Como as Bolsas reagem muito de acordo com as expectativas, esse clima de incerteza prejudica esses mercados.’’
A continuidade da crise no Sudeste Asiático - na semana passada, Indonésia e Hong Kong estiveram na alça de mira dos especuladores - deixa o mercado ansioso. A principal preocupação é saber se a Bolsa de Nova York, que acumula valorização expressiva nos últimos anos, acabará sofrendo a esperada correção dos preços. Segundo analistas, a piora da crise asiática poderia acabar precipitando esse movimento de queda do Índice Dow Jones, o que teria reflexos negativos sobre as Bolsas do mundo todo.
No momento, porém, não é isso o que está ocorrendo. Allain lembra que o Índice Dow Jones está ‘‘andando de lado’’, não caindo abaixo dos 7.600 pontos. Para ele, parece mais provável que a Bolsa de Nova York recue de forma suave e contínua ao longo do ano, o que afetaria menos os mercados acionários dos outros países.
No âmbito interno, surgiu uma boa notícia para as Bolsas na semana passada. De acordo com projeções de um banco de investimento, o lote de mil ações preferenciais (PN) de Telebrás pode chegar a valer US$ 180,00 (cerca de R$ 200,00). Nos últimos pregões, esses papéis têm ficado na casa de R$ 115,00. Com isso, o potencial de valorização dessas ações, o carro-chefe das Bolsas brasileiras, é de cerca de 75%. A perspectiva de privatização e de lucratividade das empresas do setor de telecomunicações é que justifica essa previsão.
Para quem tem recursos aplicados em Bolsa, Allain entende que não é o momento mais adequado para sacar. ‘‘A tendência das Bolsas não parece ser de queda forte, mas de recuperação lenta.’’ No caso de quem ainda não entrou em Bolsa, ele entende que é melhor esperar um pouco mais, por conta da instabilidade e do juro atraente que está sendo pago pela renda fixa.
Fundos Ao longo deste mês e do próximo, vai continuar ocorrendo a diminuição do número de cotas que participantes dos fundos de investimento financeiro (FIFs) de 30 e 60 dias detêm, sempre no vencimento da aplicação. Essa redução está ocorrendo desde o dia 2, por conta do recolhimento antecipado do Imposto de Renda (IR) acumulado até 31 de dezembro de 1997. Os bancos vêm enviando extrato aos investidores, informando o novo número de cotas.
No dia 2, ocorreu a redução das cotas nos fundos de curto prazo e do dinheiro remanescente dos antigos fundos de commodities, que preservaram a liquidez diária mesmo após a sua extinção, em outubro de 1995.
Nos fundos de 30 e 60 dias, o recolhimento do IR vai ocorrer ao longo de janeiro e fevereiro, na data de vencimento dessas aplicações ou no resgate - o que ocorrer antes. Depois do pagamento do tributo devido, os cotistas ficam apenas com as cotas referentes ao saldo líquido dos fundos. O dinheiro recolhido era o que já estava provisionado para a quitação do IR.

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