Renda Fixa continua a melhor opção
Embora as perspectivas para a economia tenham melhorado, com o dólar aparentemente sob controle, a aprovação da CPMF, a promessa dos bancos estrangeiros de manter as linhas de crédito para o País e a divulgação de índices que mostram que a inflação poderá não estourar na ponta do consumidor, ainda não é hora de trocar a segurança da renda fixa pelos riscos das Bolsas. Os mercados de ações continuam opção indicada apenas para quem pode aplicar por prazos longos.
O diretor-executivo do Banco BMC, Luís Perego, diz que a renda fixa permanece mais indicada porque os juros continuam bastante elevados. Além disso, a inflação medida pelos índices de preços ao consumidor parece perder força.
Na semana passada, a segunda prévia do IPC da Fipe de março ficou em 0,96%, indicando que a alta dos preços no atacado não será repassada integralmente para o varejo. Assim, é provável que o juro real de aplicações de renda fixa seja positivo este mês, se comparado com os IPCs.
Na renda fixa, Perego recomenda os fundos DI, que acompanham a oscilação dos juros. Embora considere improvável uma nova alta das taxas, ele diz que essa possibilidade não pode ser completamente descartada. Perego aposta que o Banco Central (BC) não deverá baixar os juros antes da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), dia 14 de abril.
Segundo ele, o cenário melhorou principalmente depois que o governo anunciou que pode gastar além dos US$ 8 bilhões combinados com o FMI para controlar o câmbio até junho. Assim, o BC poderá abastecer o mercado de dólares em momentos que a saída de recursos for estruturalmente superior à entrada, por conta dos vencimentos de títulos emitidos no exterior por empresas e bancos brasileiros. No segundo semestre, a situação deve começar a alterar-se, com o aumento mais expressivo das exportações e a elevação do número de linhas de crédito para o País.
Dólar Perego considera bastante factível a trajetória de queda do dólar estimada pelo governo. Segundo essa estimativa, a moeda norte-americana deverá fechar este mês a R$ 1,90 (na sexta, fechou a R$ 1,85) e o ano a R$ 1,70. O governo e o mercado preferem que o recuo do dólar seja feito de maneira gradual e consistente. Se cair de uma vez, a perspectiva de que as cotações podem voltar a subir tende a inibir os exportadores a fechar contratos e os investidores estrangeiros a trazer dinheiro para o País. Com isso, ele entende que aplicar em fundos cambiais ou comprar dólar paralelo é opção contra-indicada, pois o dólar tende a recuar nos próximos meses.France PresseEm liquidaçãoComércio não está conseguindo repassar alta dos preços do atacado: renda fixa supera inflaçãoAgência Estado





