Renda fixa bate o rendimento das ações
Renda fixa bate o rendimento das ações
Agência Estado
O investidor conservador, que deixou o dinheiro aplicado na renda fixa, ganhou mais uma vez em junho. As aplicações remuneradas por taxas de juro, como os CDBs e os fundos de investimento, superaram o rendimento das ações, que, pelo terceiro mês consecutivo, fecharam com variação negativa. Todas as aplicações de renda fixa renderam mais que a inflação de 0,38%, apurada pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) no mês. A maior rentabilidade, de 1,42%, foi a dos CDBs para aplicações superiores a R$ 100 mil. A Bolsa de São Paulo recuou 1,71% no mês.
Embora tenham sustentado altas nos dois últimos pregões, que reduziram a perda em junho, as bolsas de valores atravessaram o mês deprimidas por causa, principalmente, da persistente desvalorização do iene em relação ao dólar. Pressionada pela fuga de capitais do Japão, a moeda japonesa chegou a recuar a 146,2 ienes por dólar, recorde de baixa desde agosto de 1990, contida apenas com a intervenção conjunta dos bancos centrais do EUA e do Japão.
O grande temor é que uma continuidade de queda do iene encoraje uma desvalorização do yuan, a moeda chinesa, e, com ela, das demais moedas dos países da região, todos mergulhados em crise econômica. Essa perspectiva, se confirmada, lançaria novas incertezas sobre os outros países considerados emergentes, como o Brasil, que poderiam ser alvo, nesse caso, de fuga de capital estrangeiro. A desvalorização de moeda assusta o investidor externo porque o capital aplicado apura perda na mesma proporção ao ser convertido da moeda local em dólar no momento de saída do País.
As pesquisas eleitorais, que provocaram instabilidade no mercado ao apontar inicialmente emparelhamento técnico entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o candidato das oposições, o petista Luiz Inácio Lula da Silva, devem ter o efeito amortecido nos pregões. O atual nível de preços das ações está embutindo a perspectiva da disputa em segundo turno, segundo analistas.
A ordem dos investimentos mais rentáveis nos seis primeiros meses do ano não difere substancialmente da de junho. A liderança foi sustentada pelas aplicações de renda fixa, com as bolsas de valores também em último lugar. O CDBs para valores acima de R$ 100 mil acumulou rendimento de 10,17% no período e a Bolsa paulista, desvalorização de 5,08%.
Ontem a Bolsa de São Paulo fechou em alta de 0,77% e a do Rio, de 0,27%.





