Renda extra paga dívida ou vai para as compras
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domingo, 08 de dezembro de 1996
Luis Lomba<bR>Sucursal de Curitiba 
Para alguns, o trabalho temporário de final de ano é uma maneira de fugir do desemprego; para outros, apenas uma maneira de financiar as férias de verão ou trocar de carro. Marivane Gomes Vieira está trabalhando desde o dia 25 de novembro como gerente temporária da loja Drops, do Shopping Mueller de Curitiba. Além de vale-refeição e vale-transporte, recebe o piso salarial do shopping (R$ 260) mais uma comissão de 4,5% se atingir uma cota de vendas acertada com a dona da loja.
Vamos atingir a meta com certeza, confia Marivane. Se tudo der certo, espera receber por um mês de trabalho R$ 600, que vai gastar quitando dívidas, pagando o colégio do filho e comprando presentes.
Esta é a terceira vez que Marivane trabalha num emprego temporário, sempre no comércio. Ela tem 24 anos e cursa Educação Física na PUC. A loja trabalha normalmente com cinco vendedoras, mas este mês está funcionando com sete, mais a gerente temporária.
A seleção dos temporários é feita através de currículuns recebidos a partir de novembro, de entrevistas e de um teste prático de três dias, informa a proprietária da loja, Neuci Jojima. Fazemos um contrato de dois meses, com todos os direitos, e não exigimos que elas cumpram aviso prévio, afirma.
Regina Rizental, 25 anos, vive há cinco de trabalhos temporários e está atuando na promoção de Natal do Shopping Mueller. Vai receber R$ 1.000 por oito horas diáris de trabalho entre os dias 3 e 24 de dezembro. O dinheiro segue direto para a poupança, que vai financiar sua tão sonhada viagem à Europa. Se recebesse uma proposta de emprego fixo para continuar o que está fazendo agora, ela diz que recusaria. É muito cansativo ficar oito horas em pé de salto alto, justifica. O bom do trabalho temporário é que se o chefe for chato a gente sabe que não vai durar muito, diz.
Para quem acha que o trabalho temporário é só para quem gosta de vida mansa, Maria Márcia Kacherosky está aí para provar o contrário. Ela trabalha durante o dia como vendedora numa loja do Boticário e à noite recepciona os convidados vips do Bamerindus na apresentação do coral no Palácio Avenida. O motivo de tanto esforço é um só: ela quer entrar em 1997 de carro novo.


