Segundo a pesquisa ''A Nova Classe Média'', coordenada por Marcelo Cortes Neri, chefe do Centro de Pesquisas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, uma família é considerada classe média - também chamada de classe C - quando tem renda mensal entre R$ 1.115 a R$ 4.808. Conforme o estudo, as classes A e B (elite) têm renda superior a R$ 4.591; a classe D (remediados), entre R$ 768 e R$ 1.064; e a classe E (pobres), ganha abaixo de R$ 768.
A metodologia da pesquisa se baseia na renda de trabalho e considera pessoas em idade ativa de 15 a 60 anos. Para levantar dados, foram analisadas informações do Ministério do Trabalho e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pesquisa mostra que na virada da década, a atual classe C se situava entre os 50% mais pobres, das classes D e E, e os 10% mais ricos, da classes A e B. Em 2004, essa camada representava 42% da população economicamente ativa (PEA) e hoje é majoritária, atingindo 52%.
Além da importância política, a classe C é o alvo estratégico das empresas porque representa o maior poder de compra. No bolo de renda do país, as famílias de classe média são responsáveis por 46,5% - a classe AB fica com 43%. Um dos fatores desse crescimento é o aumento da formalização do trabalho. De 2003 a 2009, o número de empregos formais novos foi de 8,5 milhões.
Classes econômicas
O Critério de Classificação Econômica Brasil (CCEB) ou Critério Brasil, coordenado pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas (Abep), avalia o poder de compra de grupos de consumidores, deixando de lado a classificação por ''classes sociais'' para dividir o mercado em ''classes econômicas''.
Para definir o perfil econômico do brasileiro, o método não toma como base a renda familiar, mas leva em conta a posse de bens de consumo. Na lista estão TV em cores, rádio, banheiro, automóvel, empregada mensalista, máquina de lavar, videocassete e ou DVD, geladeira e freezer. Para cada bem possuído pela família existe uma pontuação e cada classe é definida pela soma de pontos.
Até 2007, o Critério Brasil definia as classes A1, A2, B1, B2, C, D e E. A partir de 2008, porém, a classe C foi subdividida em C1 e C2. A atualização foi necessária devido à migração, nos últimos anos, da classe D, de menor poder aquisitivo, para a classe C, que ficou mais heterogênea. Outra mudança é que os bens de consumo passam a ter novas pontuações.
A nova classificação desprezou a posse de bens como celulares, computadores e outros aparelhos associados a tecnologia e com forte expansão de vendas. A justificativa é que eles ainda estão em fase de crescimento acelerado no mercado consumidor e desvirtuariam a pesquisa.
Até o final da década de 1960, os institutos de pesquisa usavam critérios diferentes para classificação das classes econômicas. A partir de 1970 começou uma padronização, que foi sendo alterada até se chegar ao Critério Brasil, em 1997. O sistema foi criado para definir grandes classes que atendam às necessidades de segmentação (por poder aquisitivo) da maioria das empresas.
Na avaliação do professor da área de marketing da FGV, Marcelo Peruzzo, os dois critérios - a pesquisa com base na renda e a que leva em conta os bens de consumo - podem ser considerados na hora de situar a classe média. ''O Critério Brasil é o método mais utilizado tanto em pesquisas de mercado quanto pela academia. É também o que mais se aproxima da realidade, conforme o IBGE'', diz.
''Mas sempre que surge algo novo como a pesquisa coordenada pelo professor Marcelo Neri (também da FGV), isso vem para somar. Nenhum método tem a verdade absoluta'', completa. No Critéro Brasil, o professor destaca que a classe média é ''subjetiva''. ''Na minha interpretação, ela fica entre as classes B1 e B2 (média alta) e C1 e C2 (média baixa)'', define, esclarecendo que a média salarial dessas famílias vai de R$ 933 (C2) a R$ 4.558 (B1). (G.M.)

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