Renda dos brasileiros está em queda
Agência Folha
Do Rio
A renda per capita brasileira caiu para 22% da norte-americana em 1998, depois de chegar a 29% em 1980. Os dados constam de um estudo apresentado ontem pelo economista Antonio Barros de Castro no 13º Congresso Brasileiro e 7º Congresso Latino Americano de Economistas. De acordo com esses números, a renda per capita brasileira (divisão simples da riqueza total do País pelo número de habitantes em um determinado momento) em relação à norte-americana evoluiu de 16% em 1910 para 17% em 1930, chegando ao pico de 29% em 1980.
A queda nos 18 anos seguintes, de acordo com o economista, ocorreu por causa dos 14 anos de inflação elevada e hiperinflação, entre 1991 e 1994 e porque, após a implantação do Plano Real (94), o Brasil teve uma bolha de crescimento e mais nada. O efeito tequila (referência à crise mexicana de dezembro de 1994) espetou a bolha e daí para a frente foi de acidente em acidente, disse Castro.
Castro foi presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) no governo Itamar Franco e é professor da Faculdade de Economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). No mesmo quadro, o economista mostra que a renda per capita da Argentina continua muito maior que a brasileira, mas vem em um processo contínuo de redução na comparação percentual com a dos Estados Unidos. Hoje, a renda por habitante da Argentina representa 36% da norte-americana, menos da metade do que era em 1910 (77%).
Castro, que é um herdeiro do pensamento desenvolvimentista criado na Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe), disse que a entidade errou em não se preocupar com a distribuição de renda e tratar a América Latina como um desvio do capitalismo avançado dos países ricos, que seria o ideal. Em contrapartida, ele disse que o desenvolvimentismo gerou crescimento, o que depois não foi levado em conta.Poder de compra no Brasil já equivaleu à 29% do norte-americano e hoje não passa de 22%
Arquivo FolhaPERDA EM CASCATAEm 1980, a renda do brasileiro atingiu o pico em relação à norte-americana, equivalendo a 29% da média nos EUA. Nos 18 anos seguintes, inflação alta achatou ainda mais o poder aquisitivo da população





