São Paulo - O mercado de trabalho neste ano pode ter desempenho similar ao do ano passado, mas a renda do trabalhador tende a crescer menos em 2007. Na análise de economistas consultados pela Folha de S.Paulo, o rendimento médio real (descontada a inflação) deve ter crescido entre 1,2% e 4,1% no ano passado. As estimativas para este ano, porém, são mais contidas: de 1% a 2,4%. ''A inflação em baixa e o ganho real de 13,04% concedido ao salário mínimo foram decisivos para o aumento da renda em 2006'', diz Fábio Romão, da LCA Consultores.
Em 2007, a história é outra. A expectativa de inflação é maior do que a prevista para o ano passado - o que deve ter impacto negativo na renda. O INPC deve fechar este ano em 4,12%, ante 2,68% na projeção para 2006, segundo a LCA. E os R$ 30 a mais no valor do mínimo, que passa de R$ 350 para R$ 380 em abril, significam ganho real de 5,41% - percentual bem menor do que os 13,04% do ano passado, diz Romão.
Na análise da Tendências Consultoria, a baixa inflação de 2006 permitiu um forte crescimento ao rendimento real, que deve chegar a 4,1%. Para 2007, as projeções indicam crescimento de 2,4%, ''em virtude de um menor reajuste nominal dos salários e de uma taxa de inflação ligeiramente alta''.
O rendimento do trabalhador apresentou alta de 0,6% em novembro de 2006 na comparação com outubro, segundo dados do IBGE, e chegou a R$ 1.056,60. Em relação a novembro de 2005, a alta no rendimento foi de 5,7%. Mas, apesar da recuperação, a renda ainda não voltou ao patamar de novembro de 2002 (R$ 1.097,83).
''É uma recuperação importante, mas pontual. O governo teve eficácia na criação de vagas formais, mas são postos que, em sua maioria, repetem o padrão asiático de emprego: baixos salários com jornadas acima de 44 horas semanais'', diz Marcio Pochmann, economista e professor da Unicamp.
Estudo sobre a remuneração de empregos com carteira assinada no país, feito por Pochmann a partir de informações do Caged, mostra que 93,1% das vagas formais criadas entre setembro e outubro do ano passado pagam até 1,5 salário mínimo - ou R$ 525. No mesmo período de 2004, o percentual de vagas abertas com essa remuneração era de 73,9%.
Para Pochmann, o achatamento na renda decorre do modelo de crescimento do país, baseado na produção e na exportação de bens e serviços de baixo valor agregado.

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