Brasília - O aumento da renda do trabalhador foi o fator que mais cresceu na pesquisa Indicadores Industriais, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Nos seis primeiros meses deste ano, o salário líquido dos trabalhadores industriais teve aumento de 8,96% em comparação com o mesmo período do ano passado.
  Analisando apenas o mês de junho, também houve alta: 8,69% em comparação com junho de 2004. ‘‘A expansão da atividade industrial em junho continua calcada no excepcional aumento das exportações, que têm batido recorde nos últimos meses, e a manutenção da demanda doméstica, que pode ter enfraquecido um pouco, mas continua crescendo em função do aumento da massa salarial’’, afirmou o economista Flávio Castelo Branco, coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI.
  De acordo com Castelo Branco, com o aumento dos salários, o poder de compra dos trabalhadores da indústria continua se expandindo. A expectativa é que continue assim nos próximos meses. ‘‘Isso deve se prolongar pelos próximos meses, talvez com ritmo menor, mas a seqüência de altas vai permanecer’’, disse.
  Já o emprego industrial cresceu 6,36% no semestre. Mas em junho, ficou praticamente estável, com variação positiva de apenas 0,08% sobre maio, quando houve expansão de 0,13% em relação a abril.
  Segundo a CNI, essa desaceleração reflete o desaquecimento da atividade econômica iniciado no final do ano passado. Na avaliação da confederação, as perspectivas para o emprego não são tão positivas nos próximos meses. ‘‘O mercado de trabalho perdeu um pouco de ritmo. O crescimento corrente do emprego é bem reduzido e menor que o que observamos em 2004. Acredito que vá continuar crescendo, mas moderadamente’’, considerou.

  Vendas - As vendas reais da indústria brasileira acumularam crescimento de 4,5% no primeiro semestre deste ano em relação a igual período de 2004, segundo o boletim.Em junho, o crescimento foi de 2,93% na comparação com o mesmo mês do ano passado e de 1,53% sobre maio, de acordo com ajuste sazonal.
  ‘‘O extraordinário desempenho das exportações sustenta grande parte do dinamismo da atividade industrial. A par disso, cabe ressaltar que a demanda interna, embora mais enfraquecida do que em 2004, guarda algum fôlego de expansão’’, divulgou.
  O nível de utilização da capacidade instalada subiu de 81,9%, em maio, para 82,6%, em junho. No entanto, caiu na comparação com junho do ano passado, quando estava em 83,1%.
  O maior aproveitamento do parque produtivo em junho não foi suficiente para conter a tendência de queda do indicador na evolução trimestral, que se estende por três trimestres.
  O resultado do levantamento, feito mensalmente junto à três mil empresas, foi divulgado ontem pela CNI.

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