Rio de Janeiro - O rendimento médio real do trabalhador encolheu 3,9% no ano passado, em comparação com 2000, confirmando a tendência de redução ininterrupta desde 1999. Houve diminuição da renda em todos os meses do ano ante iguais períodos do ano anterior, segundo divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda foi crescente no decorrer de 2001, passando de 1,1% em janeiro para 8,9% em dezembro.
A gerente de Análise do Departamento de Emprego e Rendimento do IBGE, Shyrlene Ramos de Souza, observou que o desempenho da renda está diretamente ligado ao crescimento econômico e ao aumento de contratações, e em ambos os casos as taxas de expansão estão pequenas no País. ‘‘O salário é uma integração entre oferta e demanda e o poder de barganha dos trabalhadores está menor’’, disse.
Desde o início do Real, o rendimento apresentou crescimentos entre 1994 e 1997 e a taxa recorde foi registrada em 1995 (11%). Em 1998, o índice ficou constante, passando a cair em 1999 (-5,5%), em 2000 (-0,6%) e no ano passado.
Desemprego - Confirmando o cenário de dificuldades para os trabalhadores, a taxa de desemprego aberto subiu para 6,8% em janeiro, ante 5,7% em igual mês do ano passado e 5,6% em dezembro. Apesar do aumento da taxa, houve uma pequena melhora no mercado de trabalho no início deste ano, já que foi registrado aumento da população ocupada (0,3%), após cinco meses consecutivos de queda na comparação com igual mês do ano anterior.
A ocupação é considerada o dado mais importante para avaliação da situação do mercado de trabalho pela gerente do instituto. Shyrlene salientou que, apesar da reversão das taxas negativas registradas anteriormente no nível de ocupação, o aumento de janeiro ainda é ‘‘muito pequeno’’ e não pode ser considerado como tendência de melhora da situação do emprego. ‘‘Não podemos dizer que o mercado de trabalho melhorou porque a ocupação cresceu pouco e aumentou também o número de pessoas fora do mercado’’, disse.
Em janeiro, o número de pessoas economicamente inativas (fora do mercado de trabalho) cresceu 3,3% sobre igual mês do ano passado. Shyrlene observou, entretanto, que a maior ocupação ‘‘não deixa de ser positiva’’ porque revela que estão ocorrendo contratações, ainda que em volume muito menor do que a procura por trabalho.
Segundo o IBGE, o número de pessoas desocupadas (sem trabalhar, mas procurando emprego) cresceu 22,4% em janeiro, ante igual mês de 2001. Para Shyrlene, essa procura pode significar que a melhoria do cenário econômico no fim do ano passado está estimulando a busca por vagas. ‘‘Mas ainda é cedo para dizer que esses indicadores revelam uma tendência’’, disse.
A taxa de desemprego com ajuste sazonal atingiu 6,7% em janeiro e 7% em dezembro, segundo o IBGE. O ajuste espelha com maior clareza a situação do emprego, já que elimina as variações típicas de determinada época do ano. No caso de dezembro, por exemplo, o índice sem ajuste é menor (5,6%) porque é um período de aumento de contratações temporárias.

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