Renda do produtor caiu 30% no Plano Real, critica CNA
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sexta-feira, 03 de julho de 1998
Agência Estado 
O presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio Ernesto de Salvo, disse que os produtores rurais não têm o que comemorar no aniversário de quatro anos do Plano Real. O Plano Real foi um desastre para o setor, pois o produtor teve uma redução de 30% em sua renda e não há nenhuma mágica que se possa fazer a esse respeito, afirmou.
Ele ressaltou que foi muito bom para o País ter uma moeda estável nesses quatro anos, permitindo aos consumidores comemorar o fato de poderem comprar com R$ 100,00 quase a mesma quantidade de alimentos do início do plano. Salvo avaliou, no entanto, que o setor agropecuário está tendo um tratamento incorreto.
Para o presidente da CNA, o setor deveria ter crédito farto, preços garantidos para os produtos agrícolas e maiores esforços por regras justas de comércio no mercado internacional. No entender de Salvo, o produtor rural precisa ter a certeza de que, ao vender sua produção, terá algum lucro, por pequeno que seja. Caso contrário, não vamos poder continuar sustentando o real, afirmou.
Salvo observou que a agricultura produz atualmente o equivalente a R$ 100 bilhões em grãos e outros produtos e que, desse total, o produtor tem uma oferta de R$ 10 bilhões em crédito rural, e o restante vem de recursos próprios ou da rede bancária, com juros de mercado. Como a disponibilidade de dinheiro é pequena, o produtor não aumenta a sua produção, e por isso a safra agrícola permaneceu estagnada durante o Plano Real, afirmou.
Entre as alternativas sugeridas pelo presidente da CNA para reverter o quadro de perda de renda do agricultor nacional estão a elevação do porcentual dos depósitos à vista que os bancos devem aplicar na atividade agrícola, hoje em 25%, e a possibilidade de os fundos constitucionais passarem a funcionar como instrumento de apoio à economia das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Atualmente, segundo Salvo, esses fundos cobram altas taxas de juros e remuneram os bancos em 3% sobre os montantes de recursos, mesmo quando o dinheiro não é emprestado aos produtores. O presidente da CNA afirma também que o governo deve ampliar o volume de recursos para apoio aos pequenos produtores rurais, em lugar de destinar cerca de R$ 2 bilhões por ano a fundo perdido em assentamentos de famílias no programa de reforma agrária.


