Renda do agronegócio deve cair 8,4% em 2009
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Fabíola Salvador<br>Agência Estado 
Brasília A queda na safra de grãos e o recuo dos preços das commodities agrícolas devem reduzir em 8,4% a estimativa para a renda agrícola neste ano. De acordo com estimativa divulgada ontem pelo Ministério da Agricultura, a renda deverá ser de R$ 149,6 bilhões este ano, R$ 13,7 bilhões menor que em 2008, quando a renda somou R$ 163,4 bilhões. O efeito destes fatores está fazendo com que a renda do produtor rural sofra forte declínio neste ano, afirmou o coordenador-geral de Planejamento Estratégico do ministério, José Garcia Gasques.
O clima adverso ao desenvolvimento das lavouras, especialmente na Região Sul e em outros Estados, provocou uma quebra de 6,5% na safra 2008/09 de grãos deste ano. A mais recente estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra de grãos, divulgada na semana passada, indicou queda de 6,5% na produção das lavouras. A quebra pode ser ainda maior e, segundo o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, chegar a 8%. No ano passado, a produção de grãos na safra de verão foi de 137 milhões de toneladas. A Conab prevê colheita de 134,7 milhões de toneladas na safra atual.
O baixo desempenho de importantes lavouras na formação da renda da agricultura é determinante para o fraco resultado do setor em 2009, avaliou Gasques. Ele explicou que as baixas ocorridas no café, milho e soja se manifestam com elevada intensidade no resultado total, pois essas três lavouras representam 45,6% do valor da produção agrícola. Milho e soja, isoladamente, respondem por 38,6%.
De acordo com ele, a menor renda de milho e soja se deve a problemas climáticos e do café ocorre pelo que se chama de bienalidade da cultura, ou seja, um ano de boa produção seguido de outro de menor produção, o que acontece na safra atual.
Além disso, ele aponta o recuo de preços no mercado internacional como responsável pela redução na expectativa da renda agrícola. Os valores vigentes no período de cálculo da renda são menores do que a média dos utilizados para se obter a renda do ano anterior. Com base nesses dados, a produção menor e os preços mais baixos direcionam a agropecuária brasileira a uma perspectiva, até o momento, não muito animadora,
afirmou.
O ministério informou, ainda, que entre os vinte produtos analisados, cinco apresentaram aumento de renda em relação ao ano passado. Os maiores incrementos foram no amendoim (31,3%), laranja (13,6%) e arroz (12,7%). Para Gasques, estes resultados se devem à maior produção ou pelo melhor preço, ou, ainda, a combinação dos dois
fatores.


