Renda do agricultor deve cair em 99
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segunda-feira, 19 de outubro de 1998
Agência Estado 
A crise financeira internacional deverá provocar queda na renda bruta dos produtores rurais brasileiros no ano que vem, mesmo que ocorra aumento da produção de grãos na atual safra de Verão 1998/99, que está sendo plantada. A avaliação é de diferentes especialistas no setor que, embora considerem cedo para uma estimativa concreta, afirmam que a tendência de queda acentuada nos preços internacionais das principais commodities vai provocar a diminuição da renda do agricultor.
A redução dos preços desta safra será proporcionalmente maior que o crescimento no volume produzido, afirma o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Eugênio Stefanello. Mesmo com a previsão otimista de uma produção de até 85 milhões de toneladas, o presidente da Conab assegura que a renda vai cair, o que deverá obrigar o produtor a buscar maior produtividade, com controle de custos.
Uma fonte da área econômica que prefere não ser identificada, aposta que o ano que vem repetirá 1995, quando houve uma das piores crises financeiras do setor rural no Brasil. Os mais baixos preços médios da soja e do milho na Bolsa de Chicago dos últimos dez anos prenunciam um desastre para o setor, já que os dois produtos são considerados carros-chefe das commodities, lembra a fonte.
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa, também prevê um cenário difícil para a agricultura brasileira no ano que vem, com queda dos preços internacionais da soja, açúcar e café, principalmente. Ele explica que a crise financeira internacional gerou uma queda de demanda ao lado de uma oferta física mundial recorde de alguns produtos, como a soja e o milho, o que provocou a redução nos preços. Segundo Rosa, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima uma queda de 5,% na renda do agricultor norte-americano na atual safra.
O presidente da Federação de Agricultura de Goiás, João Bosco Umbelino, disse que está alertando os produtores rurais a não aplicar qualquer recurso na lavoura que custe mais de 12% ao ano. Quem buscar dinheiro no mercado, vai ter renda negativa, afirma.
Segundo Umbelino, os insumos estão mais caros e os R$ 500 milhões prometidos pelo governo para o agricultor aplicar na recuperação do solo, através de uma linha especial de financiamento para calcário, acabaram não sendo liberados nesta safra. Em alguns casos, não plantar é melhor do que arriscar, concluiu.


