A renda domiciliar per capita de Maringá, que em 2000 já era ligeiramente superior à de Londrina, cresceu mais na última década: 125% na Cidade Canção, enquanto entre os londrinenses avançou 113%. Com isso, enquanto os maringaenses avançaram 35 posições no ranking nacional, entre os londrinenses o ganho foi de apenas oito posições. É o que mostram novos dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Maringá, com renda de R$ 1.159, ocupa hoje a 34 posição e a segunda, no estadual, perdendo apenas para Curitiba. Já Londrina, com R$ 1.088, está em 63º e 3º lugares respectivamente.
Cidades de porte médio de outros Estados como a catarinense Blumenau (R$ 1.212), a gaúcha Caxias do Sul (R$ 1.197), e a paulista São José do Rio Preto (R$ 1.161) ganham das duas parananeses. E Londrina ainda perde de Santa Maria (RS), Bauru (SP) e Joinville (SC), que têm renda domiciliar per capita de R$ 1.159, R$ 1.123 e R$ 1.098, respectivamente.
Para o diretor técnico de Desenvolvimento do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Marcelo Mafra, a evolução das cidades é fruto de planejamento estratégico. ''Se as outras conseguiram agregar mais valor ao PIB (Produto Interno Bruto) é porque foram mais eficientes'', afirma. Segundo ele, o desenvolvimento nunca tem ''relação de causa e efeito'' de curto prazo. ''Se essas cidades estão mostrando uma evolução maior é porque estão conseguindo ser competentes ao longo dos últimos anos, das últimas décadas'', ressalta.
Mafra alega que tanto Londrina como Maringá têm se destacado em iniciativas diferentes. E que é preciso mudar a ''visão de concorrência'' entre os dois municípios. ''Estamos pensando e planejando a região de forma conjunta'', declara.
Já o presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço, ressalta que não há nenhum estudo que compare ''as dinâmicas econômicas e sociais'' das duas cidades. ''Mas é visível que Londrina tem um grau de industrialização que extravasa para cidades vizinhas como Cambé e Rolândia. Enquanto Maringá concentra mais a atividade industrial'', justifica.
Lourenço explica que Marechal Cândido Rondon e suas vizinhas Entre Rios do Oeste e Quatro Pontes ''possivelmente'' estejam entre as mais ricas devido à proximidade com a Usina de Itaipu. Já os municípios com menor renda no Paraná, como Goioxim e Laranjal, se encontram na região central, onde a terra é pouco propícia à agricultura. Quanto a Doutor Ulysses, que também figura na lista dos mais pobres, mas se localiza na região metropolitana da Capital, ele explica: ''é preciso ressaltar que a cidade sofreu muito tempo com acesso precário a Curitiba.''
Já na comparação com cidades de porte médio de outros Estados que estão em melhor situação que Londrina e Maringá, ele afirma que o Paraná precisa qualificar melhor a mão de obra e investir em ciência e tecnologia. ''Esses são dois grandes atrativos para que Blumenau e as cidades paulistas atraiam mais indústrias'', destaca. Ele comenta que Londrina tem uma universidade que é referência, a UEL, mas não é destaque na área de tecnologia. ''Temos de inverter esse jogo nos próximos anos'', salienta.
A reportagem tentou contato ontem à tarde com o secretário de Desenvolvimento de Maringá Valter Viana, mas ele não retornou a ligação.

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