RIO - Depois do boom da informalidade, que reúne hoje 37 milhões de trabalhadores, ou metade do mercado brasileiro remunerado, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o País acompanha outra mudança significativa no trabalho: a aproximação do valor do rendimento médio de trabalhadores formais e informais. No início dos anos 90, a renda dos empregados com carteira assinada era 50% superior à dos sem carteira. Em 12 anos, a diferença caiu para 15%.
Outro dado revelado no acompanhamento do mercado de trabalho pelo Ipea, órgão vinculado ao Ministério do Planejamento: ao contrário do que se imaginava, de novembro de 2002 a outubro de 2004 período com forte crise econômica , houve também uma explosão de empregos. Foram criados em torno de 1,2 milhão novos postos de trabalho. Mas, como informa o pesquisador Lauro Ramos ''a quase totalidade deles referente a empregos de péssima qualidade'', ou seja, de baixa qualificação e sub-remuneração.
As estatísticas são de diferentes estudos reunidos pelo Ipea, mas apontam para o mesmo caminho: a deterioração que o mercado de trabalho vem sofrendo nos últimos anos. As curvas convergentes dos rendimentos formais e informais deve-se, na análise de especialistas, a dois fatores que marcaram a década de 90. Houve uma significativa migração do mercado formal para o informal, de trabalhadores com maior qualificação identificados pelo período de estudo igual ou superior a 11 anos , elevando com isso a remuneração nesse segmento, paralelamente ao achatamento salarial em categorias importantes do mercado formal, como a indústria e o comércio.
Gabriel Ulyssea, economista do Ipea, cita que em 1984, 6% dos trabalhadores formais ingressavam na informalidade, taxa que saltou para 9% em 1990. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), verificou também o crescimento na quantidade de trabalhadores ''qualificados'' sem registro do emprego em carteira. Ou seja, tem aumentado o ingresso na informalidade de pessoas com 11 anos de estudo ou mais.
''A qualificação do trabalhador formal aumentou devido à elevação da cunha fiscal. Estão ocorrendo com alguma frequência acordos em que a empresa e o trabalhador se apropriam do dinheiro que seria pago em impostos. Acho que isso é coisa que uma fiscalização não resolveria, porque nenhuma das partes tem interesse em denunciar. O que tem de haver é uma mudança na legislação para reduzir a cunha fiscal. Também a estrutura da Previdência contribui para a informalidade, quando permite aposentadoria a quem não contribuiu. Enquanto todos os incentivos empurrarem o trabalhador para este lado, vai ser difícil reduzir a proporção de informais'', diz o economista José Márcio Camargo.

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