Renda da classe A despenca R$ 39 bilhões em 2016
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sábado, 04 de fevereiro de 2017
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Pesquisa divulgada recentemente pela Tendências Consultoria Integrada, de São Paulo, comprova que nem os brasileiros pertencentes à classe A com famílias com rendimento superior a R$ 16.263 estão conseguindo escapar do cenário agudo de crise econômica. Se no total a massa de renda das famílias brasileiras despencou R$ 76,6 bilhões em 2016, com uma retração média de 2%, só na da população mais rica foram R$ 39 bilhões (50,9% do total), um recuo de 2,9% no último ano.
É claro que a classe B (renda de R$ 5.223 a R$ 16.263) também não escapou da quebra: perdeu R$ 21,4 bilhões, uma retração de 2,1%, enquanto a C (R$ 2.166 a R$ 5.223) teve retração de 0,8%, e a D e E (até R$ 2.166), queda de 1,4%. Um detalhe interessante é que as classes mais baixas tiveram uma elevação da renda em 2015 de 9,5%, ou seja, passaram por um revés impactante no último ano. Para 2017, a situação no vermelho continua: para a classe A se prevê uma queda na renda de 0,6%, na B (-3,5%), C (- 2,7%) e D/E (-1%). Os números englobam renda do trabalho, previdenciária e benefícios sociais.
Quando se trata dos estados da região Sul, que fechou uma massa de renda em 2015 de R$ 643,7 bilhões, o levantamento da consultoria também aponta para um impacto maior entre as classes A e B. Há dois anos, a quebra da renda da classe A foi de R$ 13,3 bilhões, enquanto em 2016 fechou com leve retração de R$ 1 bilhão. A classe B vem de dois resultados consecutivos ruins: quebra de R$ 400 mil e R$ 5,3 bilhões, respectivamente. Para este ano, projeções continuam péssimas para todos os estratos sociais na região: A (- R$ 4,7 bi), B (- R$ 5,1 bi), C ( - R$ 4,4 bi), D/E (- R$ 1 bi).

Recessão dramática
"Vivemos uma recessão dramática, com a renda e o consumo das famílias sendo muito afetados. Isso está ligado ao modelo de crescimento buscado pelo País antes da crise, uma política econômica que enfatizava o papel do consumo. Se o consumo foi privilegiado antes, ele é o que mais sofre agora", afirma a pesquisa.
O impacto maior de perda de renda na classe A tem justificativa plausível. Segundo o levantamento, em períodos de recessão econômica os mais ricos mostram pior desempenho devido à maior concentração de empregadores no estrato mais alto de renda, com o dinheiro geralmente atrelado à lucratividade das empresas. Assim, eles acabam sentindo de forma mais rápida e aguda o ciclo econômico do que trabalhadores com carteira assinada, por exemplo. Em contrapartida, a recuperação em períodos de bonança também tende a ser mais veloz. "Primeiro, esse montante nos mostra o tamanho da concentração de renda no País, já que poucas famílias nessa condição tiveram perda enorme de R$ 39 bilhões. A maioria da população da classe A tem o perfil empresarial, são empregadores, com a renda originada dessa ocupação estreitamente ligada ao próprio lucro das empresas", aponta a pesquisa da consultoria Tendências.
Por outro lado, também é possível perceber um inchaço das classes D/E. Segundo informações da pesquisa, em 2015 houve aumento de 7,5% no número de famílias pertencentes às duas classes mais pobres, que foi inflada com 2,7 milhões de famílias. Volume que quase anula todo o processo de mobilidade social verificado entre 2006 e 2012, quando 3,3 milhões de famílias deixaram de pertencer à classe mais baixa. "Apelidamos essa migração do fenômeno da ex-nova classe C. As classes de menor renda, nos anos que antecederam a crise, foram as que mais tiveram ganho, principalmente pelo aumento dos empregos de menor qualificação, por exemplo. Antes estavam sendo os mais beneficiados e agora são os mais prejudicados pela crise, com uma situação bem dramática".


