Fredy Krause
Agência Estado
O Valor Bruto da Produção (VBP), que mede a renda dos produtos agrícolas sofreu queda de R$ 2,5 bilhões nos primeiros sete meses deste ano em comparação com o mesmo período de 1998, segundo informou ontem a Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Pelos dados da CNA, o VBP dos primeiros sete meses de 98 foi de R$ 43,3 bilhões, caindo para R$ 40,8 bilhões em igual período deste ano. Em parte, segundo a CNA, a queda do setor foi compensada pela rentabilidade dos produtos pecuários, que tiveram um crescimento de 5% em relação ao ano passado.
A CNA prevê que o VBP dos produtos agrícolas e pecuários deverá acumular, até dezembro, valor total de R$ 66,1 bilhões, que ainda representará queda de R$ 1,3 bilhão na comparação com o ano passado. A redução, segundo a confederação, foi provocada sobretudo pela queda dos preços internacionais das commodities, sobretudo do café, com redução de R$ 2,4 bilhões. O café foi afetado por dois fatores: queda das cotações internacionais e queda da produção, de 34,5 milhões de sacas em 98 para 24,8 milhões de sacas neste ano.
Outros produtos que sofreram queda de rentabilidade foram a cana-de-açúcar, a batata, a laranja, a soja e o tomate. Em contrapartida, o VBP da carne bovina aumentou de R$ 11,3 bilhões no ano passado para R$ 12,4 bilhões este ano. Dois fatores contribuíram para isso: o aumento da produção e a recuperação das cotações em comparação ao mesmo período do ano passado. Também a suinocultura experimentou crescimento (de R$ 1 8 bilhão para R$ 1,9 bilhão) e a avicultura (de R$ 4,4 bilhões para R$ 4,5 bilhões), enquanto o VBP do leite sofreu leve queda (de 0,2%).
Safra de verão A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) já detectou indícios de que poderá haver redução de até 10%, na próxima safra, das áreas plantadas com feijão, arroz e milho em consequência do aumento de preços dos insumos e das dificuldades que os produtores vêm encontrando para renegociar suas dívidas e de acesso a novos financiamentos. A indicação ainda é preliminar, segundo a CNA, pois a entidade só vai concluir, na próxima semana, um levantamento inicial das intenções de plantio para a safra de verão nas principais regiões produtoras.
Em boletim informativo distribuído terça-feira pela CNA, o presidente da entidade, Antônio Ernesto de Salvo, afirma que ‘‘há um sentimento de frustração na agropecuária’’ e adverte que ‘‘se não houver uma solução para os problemas mais urgentes, a safra poderá ficar abaixo das necessidades do País’’. Segundo o boletim, na avaliação do Departamento Econômico da entidade, os custos médios da produção agrícolasubiram mais de 30% de uma safra para outra, e alguns insumos chegaram mesmo a aumentar em mais de 100% depois da desvalorização cambial. Com isso, ficou prejudicada a competitividade dos produtos nacionais, principalmente no Mercosul, uma vez que nos países vizinhos os insumos chegam a custar 40% a menos que no Brasil. Uma vez concluído o levantamento, os dados serão repassados pela CNA às federações estaduais de agricultura, para que orientem os produtores. A orientação é no sentido de se plantar somente o que for possível, custear com recursos próprios e que possa trazer melhor retorno ao investimento. ‘‘É preferível orientar os produtores para que eles decidam o que plantar, mas mantendo-se sadios economicamente’’, sustenta Antonio Ernesto de Salvo.

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