Rio de Janeiro O mercado de trabalho piorou em setembro na média das seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda que a taxa de desemprego tenha ficado estável em 12,9% (ante o recorde de 13% em agosto), houve queda de 14,6% na renda do trabalhador na comparação com igual mês do ano passado, além de significativo crescimento da informalidade.
Para o gerente da pesquisa mensal de emprego, Cimar Azeredo Pereira, os resultados surpreenderam negativamente, já que tradicionalmente há melhora nos indicadores do emprego nessa época do ano. ''O mercado de trabalho piorou em setembro tanto na comparação com agosto quanto em relação a igual mês do ano passado'', disse Pereira.
Como exemplo dessa deterioração, ele citou a queda na renda e o fato de a geração de novas vagas ter ocorrido, quase na totalidade, no mercado informal. ''Esperávamos que houvesse melhora pelo menos em relação ao mês anterior, como tradicionalmente ocorre nessa época do ano, mas isso não ocorreu'', disse.
O gerente da pesquisa destacou que, no último ano, os trabalhadores perderam, em média, meio salário mínimo em seus rendimentos. Segundo ele, a renda média de setembro foi de R$ 823,20, contra R$ 977,23 no mesmo mês do ano anterior. Houve queda no rendimento médio real no mês também na comparação com o mês anterior (-2,4%), após a recuperação que havia sido sinalizada em agosto, quando houve aumento de 1,5% na renda ante julho.
Enquanto a renda cai, a informalidade cresce significativamente. Das 772 mil pessoas que ingressaram no mercado como ocupadas de setembro do ano passado até setembro deste ano, quase a totalidade foi para o mercado informal. Do total de novos ocupados, 334 mil conseguiram ocupação sem carteira assinada e 382 mil por conta própria (camelôs ou profissionais liberais que não têm empregados).
Apenas 19 mil dos 772 mil novos ocupados, ou apenas 2,4%, têm carteira assinada e os demais são empregadores, que representam um universo pequeno da pesquisa. Em setembro, havia 18,7 milhões de ocupados nas seis regiões, com aumento de 4,3% ante os 17,9 milhões de ocupados em igual mês de 2002.
O crescimento da ocupação, mesmo quase integralmente voltado para o mercado informal, não está sendo suficiente para absorver o contingente de pessoas que buscam uma vaga no mercado de trabalho. Em setembro, o número dos desocupados (não trabalhando e à procura de emprego) cresceu 19,6% ante setembro do ano passado, com o acréscimo de 456 mil pessoas buscando trabalho. O número de desocupados nas seis regiões atingiu 2,8 milhões em setembro, ante 2,3 milhões em setembro de 2002.

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