Rio de Janeiro - A taxa de desemprego no País alcançou 13,1% em abril, a maior desde o início da nova pesquisa de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em outubro de 2001. A recuperação dos rendimentos sobre o mês anterior, iniciada em janeiro, foi interrompida em abril, com uma queda real de 0,9% sobre março. A renda caiu 3,5% comparado ao mesmo mês do ano passado.
Economistas começam a avaliar que a ''recuperação sustentada'' do mercado de trabalho poderá ficar para 2005. A taxa de desocupação - que era de 12,4% em abril do ano passado e de 12,8% no último mês de março - avançou porque o número de pessoas procurando emprego cresceu, explica o gerente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE, Cimar Azeredo Pereira. O total de pessoas desocupadas (estavam desempregadas e procurando emprego) avançou 8,5% sobre abril de 2003, numa variação acima do aumento do pessoal ocupado, de 2,5%.
Pereira argumenta que há mais gente procurando trabalho quando as pessoas acreditam que a economia vai melhor ou, num cenário mais negativo, quando a renda está tão curta que mais gente da família decide entrar no mercado. ''Os dois fatores combinados explicam o aumento da desocupação. Dizer que piorou ou melhorou é uma questão de juízo de valor'', disse o gerente do IBGE. O próprios dados levantados pelo institutos ajudam a dar o perfil da mudança.
A maior parte das pessoas que saiu da ''inatividade'' e declarou que estava procurando emprego é formada por filhos, mulheres, jovens, com mais de 11 anos de estudo. Já o perfil básico das pessoas que estavam fora do mercado e conseguiram ocupação é formado por homens e mulheres com mais de 50 anos, com 4 a 7 anos de estudo e passaram a ganhar até um salário mínimo, como trabalhador sem carteira assinada ou por conta própria.
O total de desocupados passou de 2,725 milhões para 2,812 milhões de pessoas entre março e abril, quando o pessoal ocupado somou 18,717 milhões de pessoas. O rendimento médio em abril ficou em R$ 868,50, 3,5% abaixo de abril do ano passado.
Para o economista da Global Invest Alexsandro Agostini, ''o emprego e renda só vão ter início de recuperação consistente apenas para o ano que vem''. Além do resultado do desemprego de abril, o economista cita que a piora do cenário internacional e uma provável retomada de corte dos juros apenas no segundo semestre retardarão a recuperação do mercado de trabalho.

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