Renda agrícola pode subir 11%
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segunda-feira, 17 de março de 1997
Agência Estado 
SÃO PAULO - A safra recorde de grãos e os bons preços de alguns produtos no mercado internacional deverão resultar num crescimento de 11% da renda agrícola brasileira, segundo previsão da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda. O coordenador de Política Agrícola da SPE, Evandro Fazendeiro, estima que este será o segundo ano de recuperação da renda agrícola após a queda de 1995.
Na avaliação de Fazendeiro, os bons preços internacionais, principalmente do café e da soja -que terá uma produção recorde de 26,5 milhões de toneladas -, permitirão esse aumento de renda.
O presidente da Aliança Cooperativa Internacional para as Américas, Roberto Rodrigues, também identificou tendência de melhoria de preço de açúcar e do suco de laranja.
No ano passado, explicou Fazendeiro, o Ministério da Fazenda estimou expansão de 20% da renda agrícola, que acabou sendo maior, atingindo 23%.
Os cálculos do Ministério da Fazenda são feitos com base nos principais produtos agrícolas, como soja, trigo, milho, arroz, feijão, açúcar, café e laranja. Fazendeiro observou que o aumento maior da renda agrícola em 1996 pode ser atribuído ao verdadeiro choque de commodities no exterior, com expressivo aumento de preços.
Rodrigues considerou prematuro o anúncio feito pelo governo da supersafra de quase 82 milhões de toneladas. Ainda não foi plantada a safra de inverno, nem a safrinha de milho, nem a safra do Nordeste, enumerou.
Para Rodrigues, o aumento de renda agrícola não alivia o endividamento do setor, por beneficiar mais as culturas em que a securitização não foi fundamental, como o arroz, o trigo e a soja na região de fronteira agrícola.
SECURITIZAÇÃO Rodrigues encaminhou ao governo proposta para que o produtor possa utilizar os Títulos de Dívida Agrária (TDAs) pelo valor de face na quitação da securitização. A princípio, os responsáveis pela condução da política agrícola no governo FHC rejeitam a hipótese, pelo risco que implicaria essa moeda podre para o Banco do Brasil. Rodrigues considera que os TDAs possam ter liquidez se forem utilizados pelo fundo de pensão do BB na privatização.


