Curitiba - A Renault vai implantar um turno único de trabalho e diminuir a produção de veículos mesmo com a suspensão do Programa de Demissão Voluntária (PDV). A partir de setembro, a produção diária de automóveis diminuirá de 325 para 275 unidades. Os funcionários vão trabalhar apenas das 6 horas às 14h40, que é o turno da manhã. O outro, das 14h30 às 23h10, será suspenso. A montadora, que tem fábrica em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, trocou o PDV por um programa de incentivos financeiros, o qual ainda não foi detalhado. Para o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, os dois programas são semelhantes e o futuro dos trabalhadores ainda está indefinido.
Há uma semana a Renault anunciou a implantação do PDV, que pretendia atingir 140 funcionários. Depois de pressões do sindicato e da intervenção do governador Jaime Lerner (PFL), a montadora anunciou que suspendeu o plano. De acordo com a assessoria de imprensa da Renault, o novo programa de incentivos financeiros já está aberto e disponível para os interessados. A assessoria informou que não há meta de adesão ao programa e disse que todos os funcionários que permanecerem vão trabalhar no turno único. Atualmente, a empresa tem 810 funcionários, sendo 405 em cada período.
De acordo com o sindicalista Nuncio Mannala, o sindicato não aceita o programa de incentivo financeiro. ''Na semana passada a Renault já havia falado e não aceitamos. O programa é um PDV com nome modificado'', criticou. Na próxima semana, o secretário de Emprego e Relações do Trabalho, Newton Grein, tem um encontro com a direção da Renault. ''A empresa já anunciou o que pretende fazer e agora vamos fazer apenas uma visita, é um encontro informal'', explicou Grein. A expectativa do sindicato era de que os representantes dos trabalhadores pudessem participar do encontro.
A Renault confirmou ontem que vai dar férias coletivas entre os dias 12 e 16 deste mês para ajustar os estoques a curto prazo. ''Não recebemos nenhum comunicado sobre isso, nem os empregados, que até estão ligando para a empresa para saber se podem trabalhar ou não, porque não têm certeza de nada'', afirmou Mannala. Segundo ele, o sindicato ainda quer marcar uma reunião. ''O que queremos é o governo, a empresa e os trabalhadores sentados juntos. Se chegarmos a um entendimento de que não há mais nada o que fazer, tudo bem. Mas a empresa se recusa a discutir junto'', ressaltou.
Mannala disse que espera que o Tribunal Regional do Trabalho intervenha de alguma forma no impasse com a Renault. O sindicato foi convocado a comparecer segunda-feira no TRT, em Curitiba, para o julgamento da greve dos funcionários da Renault na quinta-feira. A Renault entrou com pedido para que a greve seja considerada abusiva e ilegal.

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