Curitiba - Os metalúrgicos da Renault aprovaram o acordo salarial para 2002-2003, que passa a vigorar a partir de setembro. A montadora já antecipou R$ 1 mil a cada metalúrgico a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). O acordo vale para cerca de 3 mil metalúrgicos que trabalham no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), onde estão instaladas as fábricas da Renault, de motores e de veículos utilitários da Nissan. Foram definidas mudanças no Banco de Horas e a conversão do reajuste anual em vale-alimentação, o que proporciona um ganho a mais no salário - disse o sindicalista Robson Vieira da Silva.
Os metalúrgicos terão um reajuste próximo a 8%, que corresponde à inflação do ano, até setembro, estimada pelo Dieese. Os funcionários da Renault optaram por aplicar esse reajuste e os encargos trabalhistas que devem ser recolhidos pela montadora, que somam um índice total de 16% sobre o salário, na forma de vale-alimentação. No ano, o salário base (R$ 660,00) resulta em R$ 1.630,00 que serão repassados em cinco parcelas. A partir de agosto de 2003, o índice de 8% será incorporado ao salário. Os 10% negociados na campanha anterior como abono, serão incorporados aos salários em agosto de 2002.
Na Participação nos Lucros e Resultados foi garantido o valor mínimo de R$ 1.250,00, igual para as três fábricas do Complexo Ayrton Senna. No caso da Renault, o valor é válido para uma produção de até 60 mil veículos anuais. Acima disso, a PLR será proporcional à produção. Para os trabalhadores da Nissan, a produção mínima fixada foi de 8.000 veículos e para a fábrica de motores deve ser de 163 mil unidades no ano.
O PLR deste ano está inferior ao do ano passado, quando foram pagos R$ 1.430,00 para uma produção de 59 mil carros. Segundo o sindicalista, como a empresa não abre a planilha de custos onde estão apontados os lucros, ''a alternativa foi construir um plano em cima dos resultados de domínio do trabalhador'', destacou.
PARA CORTAR
Curitiba - O Banco de Horas que vigorava na Renault foi reformulado e foi aprovado no acordo salarial com um novo nome e novo conceito. Trata-se da Jornada Anual Flexível, que corresponde a um sistema de gerenciamento de horas que terá acompanhamento trimestral. A cada três meses as horas acumuladas para mais ou para menos têm que ser ajustadas pela empresa.
Da forma como vinha ocorrendo no Banco de Horas, muitas vezes a empresa utilizava esse mecanismo para não pagar horas extras, disse o sindicalista Robson da Silva. No acordo, ficou estipulado que passado os primeiros três meses, empresa e sindicatos fazem um acompanhamento das horas trabalhadas. Os créditos ou déficits são transferidos para o trimestre seguinte, com uma observação que o trabalhador pode ser convocado em período extraordinário, caso seu quadro de horas esteja em déficit com a empresa. O sindicato quer evitar a transferência de créditos de horas trabalhadas por mais de dois trimestres.
Para evitar o excesso de transferência de horas a cada trimestre, a jornada flexível prevê o pagamento das horas extras. Por exemplo, no final do segundo trimestre, se o funcionário acumulou horas positivas pode optar entre receber em dinheiro ou em folga. Em caso de horas negativas elas serão transferidas até o quarto trimestre. Depois disso, serão zeradas automaticamente.(V.C.)

mockup