Curitiba - Mesmo com um aumento de 13,64% em suas vendas no ano passado, a Renault do Brasil, instalada na Região Metropolitana de Curitiba, apresentou prejuízo em seu balanço pelo quinto ano consecutivo. Em 2003, a montadora fechou suas contas com um déficit de R$ 570 milhões. Apesar do resultado negativo, a recuperação em relação a 2002 foi significativa, já que naquele ano o prejuízo da empresa havia sido de R$ 1,4 bilhão.
O economista Cid Cordeiro, que avaliou o balanço da montadora a pedido da Folha, diz que a redução no prejuízo da Renault se deu principalmente pela redução das despesas financeiras (juros). O déficit registrado pelos receitas operacionais também caiu, indo de R$ 1,5 bilhão em 2002 para R$ 800 milhões em 2003. Por outro lado, ele aponta que houve um gasto maior no ano passado (em comparação com 2002) com os custos de produção de R$ 1,4 bilhão para R$ 1,5 bilhão.
O economista explica que, devido ao tamanho do investimento, o prazo normal para que a montadora começa a dar lucro é de cerca de quatro a cinco após o início da produção. Portanto, a Renault estará dentro da meta, tendo que neste ano ou no próximo começar a apresentar lucros. ''Para que a empresa consiga reverter esse prejuízo em ganho é preciso continuar diminuindo as despesas financeiras e o déficit operacional e epserar que o mercado se recupere'', analisa.
A empresa preferiu não se pronunciar sobre o balanço e disse que todas as explicações foram publicadas junto com os números. No texto anexado aos números a montadora justifica que 2003 foi um ano de ajustes econômicos e que o mercado brasileiro apresentou uma retração no ano passado em relação a 2002. A Renault informou que em 2003 fechou o ano com 6.233 veículos emplacados a menos que em 2002, porém sua participação no mercado nacional continuou a mesma, com 4,3% do total.
Em 2000, a Renault apresentou um prejuízo de R$ 425 milhões, em 2001 de R$ 419 milhões e em 2002 de R$ 1,4 bilhão. Os dados são do Departamento Intersindicial de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos e não relatam o valor do prejuízo do primeiro ano de produção da montadora, 1999.

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