Renault tem proposta para nacionalizar peças
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terça-feira, 18 de maio de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Na próxima reunião do Conselho Automotivo do Paraná prevista para o dia 27 de maio, a direção da Renault vai apresentar uma proposta de nacionalização de peças que atualmente estão sendo importadas pela montadora. A fábrica de motores Perkins também fará apresentação semelhante, iniciativa que vai ao encontro dos esforços do governo estadual para a paranização das peças, informou ontem o coordenador do Conselho Automotivo e assessor do governo estadual, Daniel Godoy.
Para Godoy, a nacionalização das peças é uma das etapas para que a Renault ganhe competitividade. O assessor foi informado pelo presidente da montadora, Pierre Poupel, que a fábrica instalada no Paraná está novamente disputando a fabricação de um novo veículo mundial e para sair vencedora do processo precisa ser competitiva. Segundo Godoy, a Renault não fez solicitações de mais benefícios fiscais para que a unidade instalada do Paraná ganhe a disputa para fabricação do novo veículo. ''A Renault já foi beneficiada com o diferimento do ICMS em governos anteriores e não apresentou mais nenhum pedido ao atual governo'', afirmou.
A resposta da matriz da Renault sobre o vencedor da disputa deverá ser conhecida até o final do mês. O novo veículo mundial da montadora será do modelo Mégane Sedan, projeto batizado como L-84. A disputa está concentrada na América do Sul, entre as fábricas de São José dos Pinhais de Córdoba, na Argentina. Sindicalistas observaram na direção da empresa a intenção de trazer novos investimentos para a região do Mercosul, que está ensaiando uma recuperação econômica a partir da Argentina.
Os metalúrgicos da Renault, no Paraná, estão esperando a resposta dentro de 15 dias. Mas a direção da empresa informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a decisão sobre quem vai fabricar o novo carro deve sair em 30 a 40 dias.
No ano passado, a fábrica do Paraná perdeu para a Espanha a produção de um modelo de automóvel um pouco maior que o Clio. Na época, pesaram os altos custos de importação de peças e a crise de mercado em toda a área do Mercosul. A matriz colocou o novo modelo em disputa apenas na América do Sul porque entende que agora a situação é diferente, acreditam os delegados sindicais Paulo Pissinini e Robson da Silva.
De acorco com os sindicalistas se a decisão for pelo Paraná, vai representar a abertura do segundo turno de trabalho, que vem sendo esperada há muito tempo pelos metalúrgicos. Atualmente a linha de montagem da Renault no Estado está fabricando 313 veículos por dia com 600 trabalhadores. Segundo Pissinini, os modelos fabricados como o Clio e o Scénic estão ultrapassados no mercado e os sindicalistas estão ansiosos para a fabricação modelos mais modernos que certamente vão alavancar as vendas e com isso, criar mais empregos.
De acordo com Pissinini, o mercado está aquecido para o setor automotivo. Na semana que vem, a fábrica paranaense efetiva a produção de 40 veículos por hora. A preocupação dos sindicalistas é que a empresa contrate rapidamente funcionários para substituir os trabalhadores em férias ou faltosos, evitando sobrecarga aos que ficam. Em abril deste ano, foram emplacados 4.288 veículos Renault, o que significa uma participação de 4% da montadora francesa no mercado automotivo brasileiro.


