Renault suspende plano de demissão
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quinta-feira, 08 de agosto de 2002
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Renault comunicou, ontem à noite, que suspendeu o Programa de Demissão Voluntária (PDV), através do qual iria demitir 140 metalúrgicos da fábrica de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. No lugar do PDV, a empresa optou por abrir um Programa de Incentivo Financeiro e de Assistência de Recolocação no mercado para os trabalhadores que se interessarem em sair da montadora.
Além disso, a Renault comunicou que vai parar a produção na semana que vem, entre os dias 12 e 16 de agosto, para ajustes. A montadora francesa está com estoque correspondente à produção de três meses e não pode mais colocar carros no pátio. A estimativa é esteja mantendo 16 mil carros.
A empresa decidiu suspender o PDV após um dia tenso, em que os trabalhadores paralisaram a produção. Foi o segundo dia de paralisação das atividades. Anteontem, a Renault não produziu por falta de peças. A empresa optou pela nova forma de desligamento de funcionários após contato do governador Jaime Lerner com a diretoria, pedindo a preservação dos empregos.
Apesar da suspensão das demissões, a empresa informou que vai avaliar sua posição como participante de um mercado competititvo e, para isso, deve ''ajustar suas linhas de fabricação e modificar sua organização para acompanhar a demanda de mercado''. O comportamento do mercado daqui para frente é que deve ditar os ajustes na organização, diz o comunicado.
Por outro lado, a Renault manifestou mais confiança após as medidas do governo federal de reduzir o IPI para os carros médios e também o acordo com o Fundo Monetário Internacional. De acordo com a empresa, essas medidas podem trazer uma reação positiva para a economia.
Antes do comunicado da Renault, a expectativa que já havia tomado conta dos metalúrgicos, em Curitiba, se transformou em frustração. Isso porque a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos recebeu um fax da Renault comunicando que havia entrado com um pedido junto ao Tribunal Regional do Trabalho, para que a greve de ontem seja julgada como abusiva e ilegal.
O diretor do sindicato, Nuncio Manalla, disse que não entendeu a posição da montadora. Segundo ele, como não houve pronunciamento oficial por parte da montadora aos pedidos de negociação, os metalúrgicos decidiram não comparecer ao segundo turno de trabalho, no período da tarde, o que obrigou a fábrica a paralisar suas atividades pelo segundo dia consecutivo.
O secretário do Trabalho, Newton Grein, antecipou a sugestão feita pelo governador de se adotar uma negociação tripartite envolvendo o governo, os trabalhadores e a Renault.


