Curitiba - Os metalúrgicos que trabalham na Renault decidiram que não vão aceitar o Programa de Demissão Voluntária (PDV) aberto ontem pela montadora. Em assembléia realizada na porta da fábrica em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, os metalúrgicos decidiram ainda que vão ''brigar'' por elevar o índice de nacionalização das peças, alternativa para reduzir preços e alavancar as vendas para preservação dos empregos.
A montadora comunicou ontem o PDV com o objetivo de reduzir o quadro de funcionários em 140 pessoas, a partir de setembro. De um total de 810 trabalhadores que estão distribuídos hoje em dois turnos de trabalho, a Renault quer concentrar 670 trabalhadores num só turno de trabalho, informou a assessoria da montadora.
O Sindicato dos Metalúrgicos, porém, calcula que o número de demitidos pode ser bem maior. ''Se forem considerados os funcionários administrativos que também serão degolados, os trabalhadores de empresas terceirizadas de logística e limpeza e mais os funcionários das empresas fornecedoras que perdem em encomendas, o desemprego atinge facilmente 600 pessoas'', calculou Nuncio Manalla, diretor do Sindicato.
A Renault alegou que recorreu ao PDV para adequar-se à demanda do mercado. Com um único turno, a produção cairá dos atuais 325 veículos por dia para 275 unidades dos modelos Scénic e Clio. O período de adesão ao PDV vai de 5 a 16 de agosto e prevê remuneração adicional e extensão do plano de assistência médica por seis meses.
Os metalúrgicos esperam reverter a posição da montadora. Para isso pretendem recorrer ao governo do Estado para ajudá-los a propor à montadora a redução do índice de internacionalização das peças, fator que tem contribuído para o alto valor no preços dos veículos da Renault. Na segunda-feira, os metalúrgicos serão recebidos pelo diretor da Secretaria da Indústria e Comércio, Elcio Coltro, e pelo secretário do Trabalho, Newton Grein.
Para Manalla, se a Renault não mudar seu processo de organização e se adequar à realidade de vendas do País, pode ser uma candidata a sair do País conforme previsão já feita pelo presidente demissionário da Volskswagen, Herbert Demel. O executivo previu que algumas das 17 montadoras instaladas no País podem ir embora, porque não há mercado para todas. A capacidade instalada está adquadada á produção de três milhões de carros por ano, enquanto o mercado absorve em torno de 1,2 milhão de carros por ano.

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