Renault quer 6% do mercado nacional até o ano de 2002
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sexta-feira, 17 de abril de 1998
James Alberti 
DivulgaçãoO número 1Lerner atira o capacete para o alto comemorando o primeiro carro da Renault montado no BrasilO presidente mundial da Renault, Louis Schweitzer, anunciou ontem em Curitiba que a empresa francesa já está com o projeto de vendas montado para os carros que serão produzidos em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba). O grupo pretende ganhar mercado e por isso vai impor uma política de financiamentos mais extensos ao comprador. Vamos adotar os financiamentos mais longos e teremos os juros baixos, no Brasil, afirmou Schweitzer.
Em visita ao Brasil depois de dois anos, Schweitzer disse que a Renault quer abocanhar 6% da fatia de mercado até 2002. No Mercosul, a meta é ter 8% em quatro anos. Hoje, a Renault vende no País 1% do total de carros comercializados. Acreditamos que o Brasil será o primeiro mercado após a França, afirmou.
Schweitzer visitou as obras da fábrica em companhia do governador Jaime Lerner. Os dois trocaram uma série de gentilezas. O governador considerou indescritível a emoção ao ver o primeiro carro montado no Paraná e não se intimidou ao extravasar o sentimento.
Como se estivesse numa festa de formatura, Lerner arremessou para o alto o capacete de segurança, usado por todos os presentes, logo após descerrar, junto com Schweitzer, o pano que cobria um carro modelo Mégane. Esse é um novo momento na história da nosso Estado, disse o governador, destacando os dois mil empregos diretos e cerca 15 mil empregos indiretos que a Renault deve criar.
Nas poucas palavras que pronunciou, o presidente da Renault também fez rasgados elogios a Lerner. Creio que Curitiba e o Paraná, hoje, são o maior centro da indústria automobilística no âmbito do Mercosul, disse Schweitzer, dando crédito ao governador do Paraná por ter acreditado na instalação da fábrica em Curitiba. Quando olho para trás e lembro que há dois anos o senhor lançava a pedra fundamental da fábrica, vejo que sua visão de futuro realizou-se com sucesso, parabenizou o francês.
De braços cruzados por alguns minutos, os operários acompanharam, com curiosidade, a passagem do presidente mundial da Renault comitiva pelos galpões da fábrica Ayrton Senna. Todos foram conhecer o primeiro carro Mégane Scénic montado no Brasil, apresentado ontem à imprensa. Ao apresentar o Mégane, o presidente da Renault anunciou para o final de agosto, a daqui 139 dias precisamente, a fabricação do primeiro modelo em série e para o final deste ano a inauguração da fábrica, que terá 90 mil metros quadrados de área coberta e produção inicial de 50 mil carros em 1999.
Segundo o diretor comercial, Raymond Jahiel, a intenção da Renault é dobrar a produção de carros no ano 2000 e chegar a 280 mil em 2002. Na fábrica de Córdoba (Argentina), são fabricados 100 mil carros ao ano. As duas montadoras, de Córdoba e São José dos Pinhais, devem ser responsáveis por 95% dos carros destinados aos países latino-americanos.


