Renault propõe menos impostos e maior nacionalização
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sexta-feira, 02 de outubro de 1998
Agência Estado 
Se a renovação do regime automotivo seguir a linha do aumento de impostos, a indústria automobilística, que está ampliando negócios na região perderá competitividade, o que a desestimulará a continuar investindo no Mercosul. O alerta foi feito pelo diretor de coordenaçao comercial da Renault para o Mercosul, Gilles Normand. A proposta da empresa para o governo é baixar impostos. Em troca, a indústria aceita um aumento do índice de nacionalizaçao das peças que compõem os carros - para até 70%.
O executivo se refere à possibilidade de a alíquota do Imposto de Importação para autopeças ser elevada para 16% a partir do ano 2000, conforme o Brasil acertou com a Organização Mundial do Comércio. A Argentina seria a mais afetada. Neste país o imposto chega a 2% para as empresas comprometidas com exportação. No Brasil, a alíquota de peças importadas fora do Mercosul tem sido elevada gradativamente e vai para 11% nos próximos meses.
Gilles disse que a direção da Renault concorda com a alíquota em 35% de II para os carros. Este é outro ponto fixado. Para o executivo francês, se o governo mantiver um imposto alto para as peças, a indústria de autopeças local não será motivada a investir em tecnologia e, consequentemente, ser mais competitiva porque estará amparada pela proteção.
Se reduzirmos o imposto para 8% ou 10% a tornamos mais competitiva. Em troca, podemos aceitar um índice de nacionalização maior porque poderemos contar com componentes produzidos na região de boa qualidade, destacou. Hoje o regime exige conteúdo local de 60%. Este índice engloba as peças produzidas em qualquer parte do Mercosul. Gilles disse que o porcentual pode ser elevado até para 70% se essa competitividade e garantia de qualidade forem conquistadas.
A Renault chegou a postergar por um tempo o projeto de construção de uma fábrica de motores no Paraná, anunciado ontem, em razão da indefinição sobre as regras pós regime automotivo. O diretor geral para o Mercosul, Luc-Alexandre Ménard, esteve recentemente com o ministro da Indústria, Comércio e Turismo, José Botafogo Gonçalves. Por fim, a direção mundial da companhia decidiu investir US$ 100 milhões adicionais ao US$ 1 bilhão já reservados para a fábrica de automóveis.


