A montadora francesa Renault começou a rever suas previsões de faturamento e vendas de carros no Brasil e países do Mercosul para este ano. A estimativa de queda gira em torno de 20%, o que representa uma redução de 24 mil veículos vendidos para 20 mil unidades até dezembro, no País. O desaquecimento não se restringe apenas ao mercado nacional. Na Argentina, a Renault cancelou a fabricação de carros por um período de três dias a contar da data de hoje para desovar o número de veículos em estoque.
A fábrica de Córdoba produz 600 carros ao dia para os mercados argentino, brasileiro, uruguaio, paraguaio e chileno. A previsão de parar a produção deve se restringir a esta semana, não havendo data para novas interrupções, porque a empresa espera que o mercado do Mercosul se recupere num curto espaço de tempo.
A expectativa de diminuição de vendas foi feita ontem pelo diretor-presidente da Renault para o Mercosul, Luc-Alexandre Ménard. Ele esteve, ontem, em visita à fábrica da Renault, em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba). Ménard percorreu toda a fábrica para verificar como está o processo de construção da unidade.
O diretor-superintendente elogiou a iniciativa do governo brasileiro frente à crise nas Bolsas de Valores. Ele considerou que a equipe econômica reagiu bem ao elevar os juros para conter a pressão internacional, mas afirmou que se as taxas ficarem por muito tempo nos patamares praticados hoje, as vendas podem ficar mais difíceis. ‘‘De toda a comercialização realizada no Brasil pela Renault, 70% dependem de operações de crédito’’, afirmou.
Ménard disse não acreditar que a taxa de juros permanecerá por muito tempo elevada. ‘‘Se os juros ficarem como estão, devemos vender cerca de 20 mil automóveis neste ano’’, afirmou.
Mesmo com a crise e estagnação da economia, a montadora Renault não pretende alterar os investimentos planejados para o País por causa da crise financeira que atinge diversos países do mundo. Segundo o diretor-presidente, os problemas econômicos que afetam o Brasil são momentâneos, enquanto o projeto da empresa é de longo prazo, o que não justificaria qualquer modificação nas ações que estão sendo realizadas pela Renault. ‘‘Estamos investindo R$ 650 milhões para ter a fábrica pronta e operando até o fim de 1999’’, afirmou.

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