Curitiba - A fábrica da Renault paralisou a produção de carros às 9h30 de ontem, por falta de peças. A montadora ficou sem eixos e pneus na linha de montagem em função da paralisação dos trabalhadores da sua fornecedora Vallourec, que funciona dentro do complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais.
A paralisação dos metalúrgicos da Vallourec ocorreu logo após o gerente da empresa anunciar mais 16 demissões, informou o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, Núncio Manalla. Com isso, já são 23 os demitidos da fornecedora, o que corresponde a mais de 20% do número de funcionários. A empresa sustenta que se a redução de produção na Renault se confirmar, a previsão é que haja uma redução de 25% no quadro de pessoal das empresas fornecedoras, disse o sindicalista.
A paralisação nas duas empresas e a participação pouco efetiva do governo estadual na intermediação entre os trabalhadores e a Renault levaram os metalúrgicos a tomar posições mais agressivas. Eles prometem que vão brigar pelos seus direitos na manutenção dos empregos. A Renault adotou um PDV para desligar 140 trabalhadores, que está em vigor até o dia 16.
Até agora, cinco trabalhadores manifestaram interesse em procurar a diretoria de Recursos Humanos para obter informações sobre o PDV. Mas não houve adesão, frisou Manalla. Ele confirmou a decisão do sindicato em não fazer as homologações. Os sindicalistas analisam em assembléia, hoje de manhã, o pedido de intermediação da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) no impasse entre trabalhadores e empresa.
Através da DRT, o sindicato quer forçar uma negociação entre a montadora, o governo do Estado e os trabalhadores. Os metalúrgicos pedem que o governo do Estado assuma uma posição em defesa dos trabalhadores, já que ao assinar o protocolo de intenções uma série de benefícios foram dados para a montadora se instalar no Paraná.
Entre eles, consta do protocolo que o governo do Estado permitiu que a Copel desse um desconto de 25% nas tarifas de energia elétrica industrial, que já são mais baratas. Esse benefício, previsto para vigorar até o final de 2003, proporciona uma economia de R$ 125 mil para a Renault, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos. Com esses recursos daria para manter 156 trabalhadores da fábrica, incluindo seus encargos sociais -calculou Manalla. Ou seja, só o desconto dado pela Copel seria suficiente para manter os empregos que a Renault quer cortar.

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