A Renault anunciou ontem que vai paralisar a produção de veículos pela terceira vez neste ano. Os 2,7 mil funcionários da fábrica de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, terão férias coletivas entre 24 de dezembro e 14 de janeiro. Mas a fabricação de automóveis já vai ser interrompida em 3 de dezembro, com a suspensão das atividades da fábrica de automóveis, que vai ficar 55 dias fechada, até 26 de janeiro. Aproximadamente 18 mil veículos deverão deixar de ser produzidos nesse período.
Os dias que ultrapassarem as férias coletivas vão ser descontados do banco de horas dos funcionários. A fábrica de motores terá recesso de 28 dias, iniciando no dia 17 de dezembro e com fim em 14 de janeiro.
Até mesmo os trabalhadores da unidade de utilitários, que só vai ser inaugurada em 20 de dezembro, ficarão sem produzir por 13 dias. O recesso será de 24 de dezembro a 5 de janeiro. A unidade, que vai produzir modelos da marca Nissan, terá capacidade instalada para 50 mil veículos por ano.
Com a suspensão das atividades da montadora, cerca de 1,6 mil funcionários de empresas fornecedoras deverão entrar em recesso também. Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba, Nelson de Souza, o longo período em que a Renault vai ficar parada é preocupante. ''Pelo menos não houve demissões, estão usando o banco de horas, e isso nos deixa mais tranquilos, além do fato de ela continuar investindo'', observou.
De acordo com a empresa, o recesso é necessário para adequar a produção às vendas. Mesmo assim, a empresa mantém o objetivo de aumentar sua participação no mercado brasileiro, que hoje é de 5,2%. Atualmente a Renault possui 157 concessionárias em todo o território nacional e espera ter 200 no ano que vem. Segundo a montadora, foram vendidos 60,9 mil veículos da marca entre janeiro e outubro, 35% a mais em relação ao mesmo período de 2000.
A primeira paralisação da Renault neste ano foi em julho, por 15 dias. Nessa ocasião, deixaram de ser produzidos 5,2 mil veículos. Na época a montadora alegou que a medida era necessária por causa da queda nas exportações, causada pela crise na Argentina e alta do dólar. A segunda paralisação ocorreu entre os dias 25 de outubro e 5 de novembro e desde agosto a montadora não estava produzindo às segundas-feiras. A cada dia parada, a fábrica deixa de produzir 320 veículos.

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