Renault paga participação nos lucros
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sábado, 26 de maio de 2001
Vânia Casado De Curitiba 
A Renault fechou um acordo de participação nos lucros e resultados para este ano que superou as expectativas dos funcionários. Conforme acordo firmado para 2001 com o Sindicato dos Metalúrgicos do Estado do Paraná, a empresa se comprometeu a dar um adicional de R$ 2 mil por funcionário, se a produtividade atingir a meta de fabricação de 96 mil veículos até o final do ano. Se a meta for superada, a empresa não descarta uma complementação nesse valor, informou o diretor do sindicato Núncio Manalla.
A Renault vai pagar a primeira parcela no valor de R$ 1 mil do adicional no próximo dia 13. O restante será pago em fevereiro de 2002. Terão direito ao bônus, 2.700 funcionários, entre os trabalhadores da fábrica e do setor administrativo. Para se ter uma idéia, só com a participação nos lucros e resultados, a empresa vai desembolsar o equivalente a R$ 5,4 milhões, que equivale a 50% de todo o montante pago no ano passado pela Bosch, Renault, Volvo, Audi/Volks e Fiat New Holland.
Juntas essas empresas desembolsaram R$ 11 milhões com a participação nos lucros e resultados, no ano passado. Com exceção da Renault, que já fechou o acordo, as demais empresas também estão em negociação com o Sindicato dos Metalúrgicos para novo acordo a ser firmado para esse ano.
Outra empresa que fechou um acordo de participação nos lucros e resultados foi a Brasil Telecom (Telepar). A Telepar e a Sercomtel foram pioneiras na implantação do PPR Programa de Participação nos Resultados, e este é o terceiro ano consecutivo que a empresa está distribuindo bônus aos seus funcionários por conta de atingir os resultados propostos durante o ano.
Conforme acordo firmado com o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações e Operadores de Mesas Telefônicas no Estado do Paraná, a Telepar vai desembolsar cerca de R$ 6,5 milhões com o PPR para aproximadamente 4.300 funcionários da Regional Sul da Brasil Telecom (Paraná, Santa Catarina e Pelotas-RS).
O diretor de Recursos Humanos da Telepar, João Luiz Carvalho, acredita que será possível distribuir o equivalente a 1,2 salário para cada funcionário. Segundo ele, a distribuição do PPR leva em conta a participação dos funcionários nos indicadores de qualidade fixados pela empresa. A distribuição dos recursos é feita de acordo com uma fórmula adotada que resulta em um percentual sobre o salário de cada um. Os funcionários com salários menores poderão receber até dois salários adicionais, antecipa.
Na adoção do PPR, a empresa leva em conta o envolvimento do funcionário para que a Telepar consiga cumprir as metas fixadas pela Anatel - Agência Nacional de Telecomunicações. São pelo menos 35 indicadores de qualidade fixados pela Anatel, que medem o índice de satisfação do cliente. Com isso todos os funcionários se envolvem nas metas fixadas, o que faz com que tenham a visão da empresa como um todo, sendo que o que importa é o resultado global.
Hoje o PPR é uma ferramenta poderosa de gestão nas empresas que o adotam, defende Carvalho. Com isso, a responsabilidade da empresa sai exclusivamente da área de produção e passa a ser de todos. A gente percebe que os funcionários querem saber mais sobre o desempenho da empresa e de que forma eles podem impactar por melhores resultados, explica. Hoje, funcionários de todos os departamentos mandam e-mails para o setor administrativo e de produção dando sugestões para melhorar a atuação da empresa.
No setor de Telecomunicações, as empresas do Paraná GVT, Brasil Telecom, Embratel e Sercomtel adotaram o sistema de participação nos resultados. A TIM Celular adotou o sistema de participação nos lucros, cujos dividendos são distribuídos após a divulgação do balanço da empresa e distribuição dos lucros aos acionistas. Agora o Sindicato está pressionando a Global Telecom para que também adote o sistema entre seus funcionários.
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações, Eugenio Kuczera, apesar dos bons resultados apresentados até agora para as empresas que adotaram o PPR, não é fácil convencer as empresas que elas precisam estender o resultado de seu bom desempenho entre os empregados. É difícil introduzir a cultura que as empresas precisam dividir seus lucros e que isso é bom para elas e para o público que compra seus produtos ou serviços, disse. Isso porque os funcionários passam a se sentir também donos da empresa e certamente se esforçam por conseguir o melhor resultado, finaliza Oliveira.


