A montadora Renault, com sede em São José dos Pinhais, negocia hoje a readmissão de oito trabalhadores demitidos esta semana porque estão com sequelas decorrentes de lesões provocadas por esforço repetitivo. As demissões ocorreram no início da semana, mas ontem a empresa voltou atrás após negociações com o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba. A Renault foi procurada pela Folha duas vezes, mas não se manifestou.
O sindicato chegou a pedir a intervenção da Fundacentro, órgão do Ministério do Trabalho que analisa a saúde do trabalhador, para fazer uma inspeção na montadora. Diretores do órgão alegam que a empresa vinham descumprindo as normas de manutenção de trabalhadores atingidos por doenças do trabalho. Os funcionários readmitidos serão alocados para outras funções, informou o sindicato.



Os funcionários que seriam demitidos já foram afastados anteriormente, através de licença médica, em decorrência da doença e muitos até chegaram a ser operados. Mas por orientação da Renault, não formalizaram a comunicação da doença para a Comissão de Acidente do Trabalho (CAT) que lhes garantiriam pelo menos um ano de estabilidade no emprego contando a partir do retorno ao trabalho, com a alta do INSS.
Na avaliação de diretores do Sindicato dos Metalúrgicos, as lesões também foram provocadas por estresse. Isso porque eles iniciaram na empresa montando 10 carros por dia e atualmente a produção está em 30 veículos por hora. ''As pessoas que exibem sintomas da doença foram premiadas com as demissões'', disse um diretor.
Na negociação para readmissão dos funcionários, eles serão submetidos a nova avaliação médica. O sindicato dos metalúrgicos não se responsabiliza pela iniciativa pessoal de alguns trabalhadores que não querem mais voltar a trabalhar na montadora, preferindo a indenização que será paga.
O Sindicato dos Metalúrgicos destacou que a negociação sindical tem beneficiado os trabalhadores. Só este ano, os quase 2.800 trabalhadores da Renault embolsaram o equivalente a R$ 3.057,00 cada um, a título de antecipação do acordo salarial e Participação nos Lucros e Resultados (PLR). ''São quase R$ 9 milhões que os trabalhadores da Renault estão colocando no comércio, fora o 13º salário'', calculou o diretor.

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