A fábrica da Renault em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) fabricará a partir do ano 2001 os motores que serão usados nos carros fei tos pela montadora Peugeot, que está instalada no Rio de Janeiro. O acordo comercial e industrial foi anunciado ontem pela diretoria das duas empresas, na França, e divulgado durante o lançamento da pedra fundamental da fábrica de motores pelo presidente da Renault no Mercosul, Luc-Alexandre Ménard.
Os motores Renault serão utilizados para os carros modelo Peugeot 206 e a intenção da fábrica de São José dos Pinhais é vender até 60 mil motores para a Peugeot, no primeiro ano do acordo. A capacidade total de produção da fábrica será de 280 mil unidades, no primeiro ano de atividade, passando a 400 mil quando iniciarem as vendas para a Peugeot.
A produção de motores abastecerá tanto o mercado nacional quanto as fábricas da Renault na Argentina e Uruguai, o que representará uma exportação de 50%. Mas há ainda a intenção de exportar para Europa e demais países da América do Sul. A exportação foi viabilizada após a desvalorização do real, em janeiro deste ano. Até então, a fábrica de motores seria um projeto restrito para atender as necessidades da montadora no País. ‘‘Com a desvalorização mudamos os planos e aumentamos em US$ 40 milhões o investimento’’, afirmou, ontem, o diretor da fábrica de motores, Gilles Levassor. O investimento total nesta nova unidade fabril é de US$ 120 milhões, o que garantirá 400 empregos diretos.
A situação cambial mudou tanto os planos da Renault que a montadora pretende esvaziar a produção de motores na Argentina, que passará a produzir apenas alguns modelos e peças. ‘‘A parte essencial da fabricação dos motores ficará no Brasil’’, afirmou Ménard.
Os primeiros motores serão o 1.6 de 16 válvulas para o Mégane Scénic e um motor de 1000 cilindradas, ainda em fase final de desenvolvimento na Europa. ‘‘A Renault poderá entrar no mercado dos populares’’, declarou o diretor da fábrica de motores. A fábrica está apta a produzir motores diferenciados, sendo que uma das possibilidades é fechar um contrato futuro com a Nissan.
Os motores sairão da fábrica em São José dos Pinhais com 60% de nacionalização, mas a intenção da Renault é atingir 95% quando ficar pronto o setor de usinagem da montadora. Das 400 peças que compõem um motor, cinco itens (bloco, cabeçote, virabrequim, biela e comando de válvula) serão fabricados pela Renault. O restante é das fornecedoras.

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