O governador Jaime Lerner relembrou ontem, em seu discurso, a guerra fiscal travada entre os Estados para a atração da nova leva de montadoras ao País. Ele reconheceu que os benefícios oferecidos nortearam as empresas para a instalação no Estado, principalmente no caso da Renault, que tem o governo como sócio. Lerner defendeu a política adotada pela sua administração e num tom quase que de desabafo disse que foi necessário dar incentivos para reverter o quadro nacional, onde apenas ‘‘os mesmos’’ Estados se beneficiavam com novas indústrias.
‘‘Tínhamos o sagrado direito de entrar na disputa’’, afirmou Lerner. Ele ressaltou que o Paraná precisava mudar seu perfil sócio-econômico, baseado na agropecuária, e por isso tomou a decisão de buscar investimentos internacionais. Ele afirmou que o Estado atraiu R$ 15 bilhões em investimentos industriais, num período de quatro anos.
O governador procurou enfatizar que não era defensor da guerra fiscal, mas a situação brasileira mostrou a ele que não havia outra alternativa. ‘‘A prática do incentivo se tornou comum entre os Estados brasileiros e por isso entramos nessa disputa’’, afirmou.
Lerner disse ainda que a vinda da Renault para o Paraná foi um divisor de águas para o Estado. ‘‘Havia um Paraná antes da Renault e agora há um outro Estado, muito diferente. Foi nossa carta de alforria’’, declarou o governador, ao ressaltar que o tempo comprovará o que ele disse. Antes de encerrar o discurso, Lerner elogiou o presidente Fernando Henrique Cardoso pela instituição do regime automotivo brasileiro.

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