Renault festeja fatia de 1% do mercado
Na última contagem mensal de vendas de veículos no Brasil, a Renault comemorou a conquista de 1% do mercado. Pode parecer pouco se comparado com os 25% das grandes montadoras. Mas o primeiro 1% das vendas no Brasil deu à marca francesa a sensação da vitória de estar mais próxima da disputa de um dos mais cobiçados mercados mundiais. Para o consumidor, o ponto porcentual da Renault oferece as vantagens do avanço na concorrência, uma transformação que culminará com uma divisão mais equitativa de um mercado até agora quase que totalmente dividido entre quatro marcas.
O mais importante, para a Renault, não é o significado de 1% em 100, mas o peso deste ponto porcentual em 5%. Este tem sido o tamanho da fatia que fica com as novas marcas. Ou seja, as montadoras já instaladas no País ainda detêm 95% das vendas. Quase 30 marcas disputam o que sobra.
Um por cento é uma conquista muito importante dentro do universo de 5%, disse o diretor comercial da Renault, Olivier Murguet, em pleno momento de celebração da sua conquista do mês passado. É claro que os franceses não vão se contentar com 1%. A Renault pretende chegar a índices entre 7% e 10% no ano 2000, logo depois que a sua fábrica brasileira começar a operar.
A Peugeot, principal rival da Renault, que anunciou oficialmente ontem o investimento numa fábrica no Rio de Janeiro, já fez o cronograma da participação que almeja no mercado brasileiro: 0,7% este ano, 1% em 1999 e 1,3% no ano 2000.
Abertura O mercado brasileiro foi aberto há sete anos, mas a divisão das vendas continua oferecendo larga vantagem para as quatro grandes (Volkswagen, Fiat, General Motors e Ford). O presidente da Kia Motors, José Luiz Gandini, culpa o sistema de cotas, criado pelo governo para limitar a entrada de veículos estrangeiros.
O regime automotivo permite importações com imposto reduzido à metade em dois casos. Podem usufruir do benefício empresas que investem em fábricas ou novas linhas e se comprometem a exportar. As empresas que não estão inscritas no regime só podem pagar 50% da alíquota do Imposto de Importação se obedecerem o sistema de cotas, que fixa limite de 50 mil veículos para todas as marcas em cada 12 meses.
A Kia ultrapassou o seu limite de cotas no ano passado. Tinha direito a 8.500 veículos com metade do imposto, mas trouxe 10.900. Teve que pagar alíquota cheia para os veículos excedentes. Começou a complicar, afirma Gandini. Segundo ele, os importadores poderiam avançar mais no mercado brasileiro não fosse a limitação. O regime e as cotas expiram na virada do século, mas as montadoras já instaladas no Brasil deverão reivindicar mais proteção.





