Curitiba - Os metarlúrgicos das montadoras Renault/Nissan e Volkswagen/Audi em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) mantêm a paralisação por tempo indeterminado. A decisão foi tomada por cerca de 8 mil trabalhadores durante assembléia ontem de manhã, quando a proposta das montadoras foi rejeitada pela maioria absoluta dos participantes. Hoje, a paralisação entra no quinto dia.
Numa nova reunião realizada ontem à tarde, a Renault apresentou uma proposta de 2,5% de aumento real mais um abono de R$ 1,5 mil. O Sindicato dos Metalúrgicos não aceitou e manteve a reivindicação de 3% de aumento real. Hoje, os trabalhadores da Renault e Volkswagen fazem assembléias para decidir os rumos do movimento.
O sindicato da categoria pede 5% de aumento real, além de 7,6% referentes a perdas inflacionárias, o que totaliza 12,6% de reajuste; somados a um abono de R$ 1,5 mil a ser pago imediatamente. Na noite de quarta-feira (3), as montadoras ofereceram aos trabalhadores 10% de reajuste, composto da seguinte forma: 2,5% de aumento real, a correção integral da inflação acumulada nos últimos 12 meses (estimada pelo Dieese em 7,6%) e um abono de R$ 1,5 mil a ser pago em 10 de setembro. Só que esse índice seria aplicado somente a partir de novembro (Volks) e dezembro (Renault). ''Isso está aquém das necessidades dos trabalhadores'', afirma o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba Sérgio Butka.
A paralisação começou na segunda-feira, data-base da categoria, como um protesto de 24 horas referente à proposta anterior formulada pelas empresas de um reajuste de 0,5% de aumento real além dos 7,6% para cobrir perdas inflacionárias, sem abono. Como as negocições não avançaram, a greve geral foi deflagrada.
A única empresa que abriu um canal direto de discussões foi a Volvo. Os trabalhadores optaram em dar um ''voto de confiança'' à empresa e ontem pela manhã encerraram as negociações. A proposta aceita em assembléia dita um reajuste de 10% em setembro, pagamento do abono na semana que vem e transferência do dia não trabalhado para o banco de horas. ''Conseguimos uma garantia mínina de aumento real de quase 2,5%. Uma vitória que serve como referência para as negoviações com as outras montadoras'', comemora Butka.
Nesse período de paralisação, a Volks já deixou de produzir cerca de 3,4 mil veículos. Na Renault, o prejuízo chega a aproximadamente 3,2 mil automóveis. De acordo com o advogado do Sinfavea Carlos Roberto Ribas Santiago, a negociação da Volvo é um balizador. ''Nossa expectativa é que as propostas sejam apresentadas o mais breve possível'', comenta.
As montadoras da região do ABC, em São Paulo, também podem entrar em greve a partir de segunda-feira. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, afirmou à Agência Estado que se as indústrias de automóveis não oferecerem ''um aumento real razoável'' para a categoria até sábado às 9 horas, os trabalhadores das montadoras devem iniciar uma greve geral por tempo indeterminado.
Na manhã de ontem, segundo o sindicato, foram registradas paralisações que duraram de uma a duas horas nas fábricas da Ford, Volkswagen e Scania, o que teria deixado de braços cruzados cerca de 10 mil trabalhadores. (Com Agência Estado)

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