A consumidora Nilva Aparecida Viana solicitou no ano passado à Renault do Brasil a troca de um veículo Scenic ANR 1950, depois de ter apresentado uma série de problemas mecânicos. Segundo a proprietária do carro, os problemas começaram dois meses após retirar o veículo da revenda: no dia 26 de agosto de 2001, com apenas 2271 quilômetros rodados, o carro apresentou vazamento de água. A assitência ofical da Renault foi acionada e o carro rebocado para a revenda Autovesa, em Curitiba.
Os mecânicos da concessionária, segundo Nilva, identificaram que o problema era na bomba d'água. ''Eles prometaram entregar o carro no dia 28 de agosto, mas só liberaram no dia 15 de setembro, ou seja foram 20 dias para substituir uma bomba d'água'', disse. O maior problema segundo ela, foi ter ficado sem o carro todos esses 21 dias. ''Tive de adiar viagem no feriado da Semana da Pátria, despesas extras, transtornos com a família e não cumprimento de compromissos'', disse.
Nilva relata que passados quatro meses de o carro ter apresentado os primeiros problemas, o veículo teve de receber novo socorro da Renault Assistance enquanto ela se dirigia para o trabalho. O carro foi removido novamente para a concessionária e os mecânicos disseram que a polia do alternador havia saltado, comprometendo o funcionamento da bomba d'água, da direção hidráulica e do ar condicionado. ''Mesmo depois do conserto, o carro continuou apresentando problemas, como a difilculdade de engatar marchas e barulhos estranhos no motor. Além da insegurança que fiquei de utilizar o carro'', disse.
A partir dessas ocorrências, a consumidora enviou ofício à Renault do Brasil solicitando a troca do carro ou a devolução das quantias pagas. Com a resposta negativa, Nilva acionou o Procon de Curitiba em fevereiro de 2001. O órgão de defesa do consumidor marcou uma audiência para o dia 24 de maio, e a montadora pediu para dar uma resposta no dia 4 de junho. ''Mas a Renault não compareceu à audiência'', afirmou.
No dia 11 de setembro o carro teve de voltar para a oficina mecânica da Autovesa. Segundo Nilva, o carro apresentava alguns barulhos estranhos e dificuldades de engatar marchas. Ela afirma que foram trocadas diversas peças como barra de direção, comando de válvulas, entre outras. No mesmo mês, o marido da consumidora enviou carta para a Renault solicitando mais uma vez a troca do veículo, com base em uma correspondência que recebeu da montadora, na qual afirmava que ''Buscamos a satisfação dos nossos clientes pela confiabilidade e qualidade de produtos e serviços inovadores e competitivos''.
Nilva afirma que o carro voltou para a oficina em 7 de maio deste ano, para um recall do fabricante para a troca de uma mangueira. O conserto foi efetuado, mas no dia 29 de julho passado a mesma mangueira rompeu enquanto a família de Nilva fazia uma viagem de férias na região de Sapopema. ''Houve vazamento generalizado de gasolina, nos expondo a um risco de explosão''.
Nesta ocasião, Nilva afirma que teve de bancar o reboque do carro, pois a Renault Assistance se negou a socorrê-la. O carro ficou estacionado em uma propriedade rural até 1º de setembro último. Nilva afirma que no dia 2 de setembro o Scenic foi rebocado até a concessionária da marca Cambé.
A reportagem da Folha entrou em contato com a assessoria de imprensa da Renault para saber a posição da montadora sobre o pedido da consumidora. Em resposta, a Diretoria de Comunicação da Renault enviou um fax para a reportagem com a seguinte informação: ''Com relação à reclamação da cliente Nilva Aparecida Viana, informamos que a solicitação da cliente foi negada pois a concessionária envolvida sempre esteve a disposição para atendê-la em suas manifestações. A cliente ainda se nega a levar seu veículo para reparo na concessionária envolvida quando solicitada''.

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