Arquivo FolhaProdução paranaenseMegane é o modelo que a Renault vai começar a produzir em 1999 na fábrica de São José dos PinhaisA Renault do Brasil Automóveis, que está em fase de instalação no município de São José dos Pinhais (região metropolitana de Curitiba), deixará de estar ligada à matriz da montadora na França para se associar à Compagnie FinanciSre pour l‘Amérique Latine (Cofal). A Cofal é a holding da empresa Ciadea, que controla a Renault da cidade de Córdoba (norte da Argentina). A nova empresa, que une as duas montadoras do Mercosul, estará estruturada até o final de junho.
Com a reorganização empresarial, a Renault reúne numa mesma empresa o conjunto de suas participações industriais na Argentina e no Brasil. A Renault detém 60% do controle acionário da montadora brasileira. O restante das ações pertencem a empresa Paraná Investimentos, que organiza um pool de acionistas interessados na montadora.
Antes da criação da empresa, a Renault argentina era formada pelo capital social da própria Renault francesa, que detinha 33,4% das ações, e da Surauto, que tinha 66,6% das ações. A Surauto é uma empresa controlada por empresários sul-americanos, liderados por Manuel Antero. Com a venda de parte das ações dela, a Renault passou a ficar com cerca de 70% do controle acionário.
Tanto a Surauto quanto a Renault formam a holding Cofal, que agora passa a gerenciar tanto a Ciadea, em Córdoba, quanto a Renault do Brasil Automóveis, em São José dos Pinhais. Segundo a assessoria de imprensa da Renault, a criação da empresa permitirá um controle maior sobre a produção e qualidade.
A fábrica da montadora em São José dos Pinhais terá um investimento de quase R$ 1 bilhão. A produção anual será de cerca de 120 mil veículos. A unidade, que vai fabricar o modelo Megane, entrará em funcionamento no final de 1999. A montadora vai gerar 2.000 empregos diretos e a estimativa é de criação de 15 mil a 20 mil empregos indiretos na região metropolitana de Curitiba.
CaoaA Renault Comercial decidiu romper os contratos de concessão comercial com o Grupo Caoa, revendedor exclusivo dos veículos da marca nas cidades de São Paulo, Santo André, Campinas e Guarulhos. O Grupo Caoa possui 12 revendas Renault na região. Em 96, foi responsável por 36% das vendas da marca no País, com 3.200 unidades comercializadas.
Em ‘‘comunicado ao público’’, a Renault Comercial pede a ‘‘compreensão dos clientes’’ por ‘‘eventuais falhas no atendimento que o grupo descredenciado eventualmente venha a cometer’’ e diz que vai abrir novas unidades ‘‘no menor prazo possível’’. A montadora tem 18 mil clientes em São Paulo.
Segundo a assessoria de imprensa da Renault Comercial, o acordo comercial foi rompido por falta de qualidade no atendimento ao cliente e descumprimento de diversos itens do contrato. O Grupo Caoa, dirigido pelo empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, nega as acusações. A empresa entrou, no dia 4 deste mês, com ação de rescisão contratual contra a Renault na 11ª Vara Cível Central da Comarca de São Paulo.
O Grupo Caoa alega que a montadora não cumpriu acordo assinado em janeiro de 96 e vai pedir indenização por ‘‘perdas e danos morais e materiais’’ de cerca de R$ 200 milhões. Andrade tem 20% da Renault Comercial. O Grupo Caoa foi o importador oficial da Renault até o final de 1995.

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