Curitiba A Renault contestou, ontem, o balanço da produção e participação no mercado nacional do pólo automotivo do Paraná em 2002, divulgado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região. Os números, levantados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), não são aceitos pela montadora francesa que apresenta informações diferentes.
De acordo com a assessoria de imprensa da Renault, a montadora francesa não teve uma redução de 24 mil veículos na produção de 2002, mas, sim, de 19 mil em relação a 2001, que dá uma queda de 28,2% e não de 34,30%, como informou o balanço apresentado pelo sindicato.
A Renault informa que, em 2001, produziu 69.742 veículos e, em 2002, 50.027 unidades, o que dá uma diferença de 19.715 veículos. O balanço apresentado pelo sindicato mostra que em 2001 a montadora francesa produziu 71.108 veículos, ante os 46.721 de 2002, o que dá uma diferença de 24.387 unidades.
Outra informação do sindicato contestada pela Renault é que o veículo Clio perdeu mercado porque está caro, não foi remodelado e a montadora é morosa na reposição das peças. A assessoria de imprensa da empresa informa que o Clio, ao contrário, ganhou mercado em 2002. Ela salienta que em 2001 foram vendidos 40.500 veículos entre Clio e Clio Sedan, que dá uma participação de 4% no mercado nacional de automóveis. Em 2002, a Renault vendeu 41.600 unidades, o que correspondeu a uma participação de 4,2% do mercado. ''Portanto houve um ganho de participação no mercado e não perdas como alegou o sindicato'', disse o assessor.
A montadora informou que o veículo não é vendido por R$ 23 mil, mas, sim, por R$ 17.990,00. Esse valor seria um dos mais baratos considerando o mercado de veículos cinco portas como o Clio. Sobre a reposição de peças, a montadora admite que houve problemas de logística em 2001, mas informa que o caso foi solucionado com a inauguração de um armazém, com 14 mil metros quadrados, em Jundiaí, que tem disponível cerca de 30 mil ítens em peças. O concessionário que precisar, pode recorrer imediatamente ao armazém. Em relação à modernização, a empresa informa que já está chegando nas concessionárias novos modelos de Clio.
O economista Cid Cordeiro, do Dieese, responsável pelo levantamento dos números da produção de veículos para o Sindicato dos Metalúrgicos disse que o balanço de 2002 levou em conta as informações repassadas pela Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que trabalha com os números de veículos disponíveis no atacado.
A Renault alega que trabalha com os números do varejo, que correspondem efetivamente aos veículos vendidos. ''Os critérios e os números podem ser diferentes, mas isso não ameniza o quadro difícil que a Renault enfrentou em 2002'', disse Cordeiro.