Renault confirma elevação de capital
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de outubro de 2002
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Renault confirmou ontem, em editais publicados em jornais, aumento de capital de R$ 3 bilhões para R$ 3,215 bilhões. A capitalização foi feita através de emissão de ações, adquiridas por uma das acionistas do grupo, a Compagnie Financière Pour l'Amérique Latine (Cofal). Foi a Cofal que exigiu a capitalização e a mesma recebeu a autorização dos outros acionistas para subscrever todas as cerca de 21.541 bilhões de ações lançadas.
A empresa informou que não havia ninguém para prestar informações. De acordo com analistas de mercado, é difícil fazer avaliação sobre a Renault, porque a montadora não negocia papéis no Brasil. A impressão recorrente é que a empresa precisava do aporte para fazer frente às dívidas adquiridas com o lançamento da nova linha de montagem de caminhonetes, feita em parceria com a Nissan.
Outra possibilidade levantada pelo mercado é que a Renault quer ajustar a composição societária para que o próximo governador não veja problemas no contrato da empresa com o governo estadual. O governo do Paraná é sócio da montadora francesa, mas os detalhes da parceria não são de domínio público. Quando a Renault foi instalada em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, em 1998, ganhou a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) por 48 meses, junto com outras empresas. O prazo venceria no final de 2002.
De acordo com a Secretaria da Fazenda, o governo tinha se comprometido a financiar a ampliação da planta da Renault em R$ 300 milhões, com recursos do Fundo de Desenvolvimento do Estado (FDE). A montadora teria recebido R$ 140 milhões do governo estadual. Como o repasse do FDE teve que ser redirecionado, o governador Jaime Lerner (PFL) prorrogou por mais 14 anos o prazo para que várias empresas, entre elas a Renault, iniciasse o pagamento do ICMS. A medida foi criticada por sindicalistas e pelos candidatos ao governo do Estado.


