Renault afirma que foi excluída nos processos
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quinta-feira, 16 de abril de 1998
Carmem Murara 
Arquivo FolhaCanteiro de obrasConstrução da Renault emprega um total de 2.007 trabalhadoresO departamento jurídico da Renault afirmou ontem que a montadora foi citada em nove processos movidos por operários que alegaram ter problemas trabalhistas dentro do canteiro de obras da fábrica. Os processos são referentes ao período em que a empreiteira OAS fez o serviço de terraplenagem no terreno em São José dos Pinhais, após ter sido contratada pela Companhia de Desenvolvimento de São José dos Pinhais. Dos nove casos, a Renault foi excluída de seis e outros três ainda não têm sentença. A Junta de Conciliação e Julgamento de São José dos Pinhais contabiliza outros 14 processos, envolvendo 68 reclamantes, mas a Renault diz desconhecer esses casos.
Os processos se referem a atrasos no pagamento e falta de registro em carteira, situações que são confirmadas pelo Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil. Recebemos 23 queixas de falta de pagamento em fevereiro, diz o presidente da entidade Paulo Lopes. As queixas são contra diversas empresas que subempreitaram a construção da fábrica. O problema na Justiça é localizar essas empresas, que não teriam Inscrição Estadual correta, CGC e endereço definido. Para se garantir, os operários entram na Justiça contra a empresa e contra as contratantes.
É nessa hora que aparece o nome das construtoras maiores e da Renault, responsáveis pela instalação da fábrica. Uma das empresa citadas é a construtora paulista Morais Dantas, considerada uma das empreiteiras-mãe da montadora. Somos responsáveis pelas obras civis e por isso toda a ação vai estourar em nós, afirmou José Daniel da Silva Filho, da área de Recursos Humanos da Morais Dantas. A construtora tem apenas 12 funcionários na Renault. O total de operários na montadora é de 2.007, incluindo as subempreiteiras. A Renault tem 23 empreiteiras, que contrataram os serviços de 165 outras empresas.
O responsável pelo Departamento Jurídico da Renault, Pedro José, disse que os contratos da empresa francesa proíbem a contratação de subempreiteiras. Mas percebemos que isso era comum no Brasil, afirmou ontem. Ele negou que possa haver funcionários trabalhando sem carteira assinada dentro da obra.
Pedro José disse que a Renault colocou um fiscal do INSS no canteiro de obras para evitar problemas futuros. Ele fez um levantamento de todas as empreiteiras e entregou para o Departamento Jurídico da montadora.


