Curitiba - A fábrica da montadora Renault, localizada em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), vai implantar o terceiro turno de trabalho a partir de junho. Com isso, serão abertos mil novos empregos diretos. O anúncio foi feito ontem pelo presidente da Renault do Brasil, Jean Michel Jalinier, durante o lançamento da versão 2012 do Sandero, em Florianópolis (Santa Catarina).
Segundo a assessoria da montadora, o terceiro turno visa suprir a demanda de carros no País. Até abril, as vendas da marca cresceram 14,2% e a expectativa para este ano é fechar com um aumento de comercialização de 20%. Além, disso a meta é investir mais em tecnologia.
O novo Sandero tem preços que variam de R$ 28,6 mil (Autentic) a R$ 42,6 mil (Stepway). A montadora anunciou ontem a redução de preços deste modelo que antes custava entre R$ 29.690 e R$ 45.690.
Atualmente, a empresa conta com cerca de 6 mil funcionários, entre linha de produção e áreas de engenharia e administrativa. Na fábrica paranaense, a produção é de 750 carros por dia. Neste ano, os trabalhadores conquistaram um acordo de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de R$ 12 mil, a ser paga em duas parcelas.
Volkswagen
Os trabalhadores da Volkswagen, também localizada em São José dos Pinhais, ainda não chegaram a um acordo com a montadora e estão em greve desde a última quinta-feira. Nesse tempo, deixaram de ser fabricados 3.600 carros.
Ontem, durante coletiva de imprensa, o Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba criticou a intransigência da montadora de negociar com os trabalhadores. O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro, informou que a fábrica do Paraná tem produtividade e rentabilidade maiores que as de São Paulo e salários menores. Os trabalhadores querem valores salariais, no mínimo, equivalentes aos de São Paulo.
Na planta do Paraná são produzidos 60 carros por ano por trabalhador e, em São Paulo, 40 por funcionário. O salário no Paraná é R$ 2,5 mil e em São Paulo R$ 4 mil. Nesta semana, o presidente da marca, Thomas Schmall, afirmou que preferia manter a produção parada a atender a reivindicação de PLR dos trabalhadores que querem R$ 12 mil (em duas parcelas). O grupo Volks ofereceu 4,6 mil aos trabalhadores como primeira parcela da PLR. A montadora esclareceu que não há a intenção de transferir a produção para outra cidade. A fábrica está no Paraná há 12 anos.
A empresa informou em comunicado que continua aberta à negociação com o sindicato dos trabalhadores e que a negociação da PLR com base na realidade do mercado e integrada ao desempenho da fábrica é fundamental para o crescimento sustentável da companhia no País.

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