Oswaldo PetrinRemoção de barreiras
Os analistas e a imprensa de modo geral conferem importância ao que acontece a partir de hoje, em Genebra, na reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC). Não é por acaso. Decisões no mundo globalizado mexem diretamente com a economia brasileira, especialmente com as exportações. Um pronunciamento, ontem, em especial, chama a atenção dos homens de negócios do Brasil: o do presidente dos EUA, Bill Clinton. A repercussão das declarações de Clinton - ainda não dimensionada - pode permear o comportamento das commodities na atual temporada de comercialização.
Historicamente, os EUA são useiros e vezeiros do protecionismo. Porém, Clinton deixa entrever que seu país não é incorrigível. Na outra vertende, os subsídios - uma forma de protecionismo indireto - também não são simpáticos ao presidente Clinton. Mas, se ninguém é ingênuo achar que a era dos subsídios e das barreiras está no fim, também não se deve ignorar que houve franco progresso no discurso presidencial. Em outras épocas o tema seria tratado de outra maneira, menos direta, para não dizer mais cínica. Clinton encara de frente. E se seu discurso não significa um divisor na história, pelo menos acena politicamente e permite o comprometimento a ser cobrado mais tarde.
Exemplo: Clinton quer que todos os países do mundo ajam ‘‘agressivamente’’ para derrubar as barreiras comerciais, no que soa como a adesão dos EUA ao esforço para remoção das barreiras e dumping. Clinton não deixou uma só área do comércio internacional fora da agenda, de bens industriais a serviços, passando por maior proteção à propriedade intelectual e terminando com um pedido de mais atenção aos direitos trabalhistas e ao meio ambiente.
Mas a ênfase de seu discurso foi na questão agrícola: ‘‘Começando no próximo ano, deveríamos começar agressivamente negociações para reduzir tarifas, subsídios e outras distorções que restringem a produtividade na agricultura’’, disse Clinton, para alívio da delegação brasileira.
Analistas de mercado já haviam comentando, antes mesmo do evento internacional de Genebra, que os EUA são questionados internamente sobre os subsídios à agricultura. Há uma certra cobrança interna.
Algumas agências de notícias, como a Agência Folha, previram ontem que FHC faria uma forte crítica às barreiras que o mundo desenvolvido adota para bloquear importações de produtos agrícolas. O setor primário e o de alimentos representaram, em 97, 32% das exportações brasileiras (US$ 16,7 bilhões em um total de US$ 53 bilhões). Há um estudo, da economista Lia Valls (Fundação Getúlio Vargas), que imagina uma situação utópica: a queda de todas as barreiras na área agrícola. Nesse caso, o Brasil poderia exportar 50% mais (US$ 8 bilhões, portanto). Mas a balança comercial não é a única razão da prioridade brasileira para derrubar as travas na área agrícola. Há também a variável diplomática.Juros
Temendo o contágio da crise asiática, o Brasil tratou de evitar uma debandada geral dos investidores internacionais, aumentando as taxas de juros. O sacrifício interno, valeu a pena. Embora discutível, valeu a pena.
Fluxo menor
Poeira baixa, o BC tratou de redizir as taxas de juros. E a entrada de capital externo caiu. A média diária de entrada de recursos no País na primeira quinzena de maio ficou 94,4% abaixo da média registrada entre janeiro e abril (AE).
Privatiza
Analistas independentes tranquilizam: a entrada de recursos das privatizações, especialmente no setor de telecomunicações, devolve o fluxo normal da entrada de dólares (investimentos) e economia fica aliviada.
Sem volta
A leitura que se deve fazer é que o governo mantém uma política conservadora no tocante à política monetária e cambial, porém, a curto prazo, isto não seginifica recuo no tratamento recém-adotado. Sem necessidade de pagar incêndio.
Alívio
Outro aviso dos analistas: menor ingresso de capital externo em maio, no entanto, não significa queda no total de reservas cambiais em 98, ressalva a economista Ana Cristina Gonçalves, da BCN Alliance, empresa de consultoria, à AE.

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