O déficit nas contas externas no mês passado foi o maior desde maio de 2000. O déficit acumulado nos últimos 12 meses chegou a 4,39% do PIB (Produto Interno Bruto) em janeiro. O resultado foi puxado pelo fraco desempenho da balança comercial e pelo aumento no volume de remessas ao exterior de lucros obtidos por empresas estrangeiras instaladas no Brasil.
O déficit em transações correntes é o principal indicador da dependência externa de um país. No Brasil, ele tem oscilado entre 4% e 4,5% do PIB nos últimos meses, o que é um valor elevado se comparado a outros países da América Latina. Na Argentina, por exemplo, o déficit corresponde a 3,7% do PIB local.
Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, a tendência é que o déficit nas contas brasileiras, na comparação com o PIB, fique estável nos próximos meses. E ‘‘se vier um pouco pior, não será surpresa’’, disse.
Esse possível aumento no déficit, segundo ele, ocorreria porque os resultados alcançados nos primeiros meses de 2000 foram excepcionalmente positivos. Assim, os números do início deste ano serão provavelmente piores, aumentando o rombo nas contas externas.
No mês passado, o déficit em transações correntes ficou em US$ 2,3 bilhões – contra US$ 937 milhões em janeiro de 2000. Nos últimos 12 meses, o rombo acumulado foi de US$ 25,96 bilhões. A previsão do BC é que o déficit fique em US$ 26 bilhões neste ano. No ano passado, ele foi de US$ 24,6 bilhões e foi coberto, totalmente, pelos US$ 30,6 bilhões em investimentos estrangeiros recebidos pelo País.
Colaborou para o aumento no déficit as remessas de lucros para o exterior. Em janeiro do ano passado, o País recebeu US$ 231 milhões na forma de lucros enviados por empresas brasileiras com filiais no exterior. No mês passado, ao contrário, empresas estrangeiras instaladas no Brasil enviaram US$ 316 milhões para fora.
A balança comercial também atrapalhou o resultado nas contas externas. O déficit comercial do mês passado, de US$ 489 milhões, foi três vezes maior do que o registrado em janeiro do ano passado.
Apesar disso, o BC ainda mantém a previsão de que a balança vá registrar superávit de US$ 1 bilhão neste ano. Analistas de mercado já prevêem déficit de até US$ 1,5 bilhão.
Contas A conta de transações correntes é formada pela soma dos resultados da balança comercial, da balança de serviços (pagamento de juros da dívida externa e gastos com viagens internacionais, entre outros) e de transferências unilaterais (como o dinheiro enviado ao país por brasileiros residentes no exterior). O déficit na conta de transações correntes é coberto pelo resultado positivo da chamada conta de capital, composta por empréstimos e investimentos estrangeiros recebidos pelo governo e pela iniciativa privada.
Somadas, as contas de transações correntes e de capitais formam o balanço de pagamentos. No ano passado, o balanço ficou negativo em US$ 2,26 bilhões. O governo precisou usar recursos das reservas internacionais para cobrir esse déficit.

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