Remessa ao exterior é a maior desde a maxi de 99
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quinta-feira, 04 de julho de 2002
Agência Folha 
Brasília As remessas de dólares para o exterior chegaram a US$ 4,2 bilhões no mês passado, maior volume desde janeiro de 1999, quando ocorreu a maxidesvalorização do real. O valor se refere a pagamentos da dívida externa e remessas de lucros e dividendos, entre outros. Não inclui operações realizadas entre bancos.
O número também não inclui as operações de comércio exterior, que, nos últimos meses, têm registrado saldo positivo. No mês passado, o câmbio contratado pelos exportadores, que não reflete necessariamente os produtos embarcados, somou US$ 6,1 bilhões. O câmbio contratado pelos importadores ficou em US$ 2,8 bilhões.
Os números mostram que as empresas estão com dificuldades em renovar seus empréstimos externos, sendo forçadas a quitar suas obrigações. Com isso, as remessas de dólares ao exterior crescem.
Em contrapartida, o resultado também reflete o efeito que o câmbio flutuante tem sobre as contas externas em momentos de nervosismo. Em janeiro de 1999, quando o país estava mudando seu regime de câmbio, o saldo cambial das operações de comércio exterior ficou positivo em US$ 198 milhões - contra US$ 3,3 bilhões no mês passado.
Já nas operações financeiras - pagamentos da dívida externa e remessas de lucros e dividendos, entre outros -, o resultado de janeiro de 1999 foi negativo em US$ 6,69 bilhões, parecido com os US$ 4,2 bilhões registrados em junho deste ano.
Ou seja, em momentos de crise no mercado financeiro, a alta da moeda dos EUA faz os exportadores trazerem mais dólares ao País, o que compensa uma eventual saída de capital.
Entre julho e dezembro, os vencimentos de dívida externa do governo e das empresas devem somar US$ 14,72 bilhões. O volume previsto não é grande quando comparado com anos anteriores. O problema é a dificuldade que o país tem enfrentado para renovar suas dívidas.
No ano passado, os vencimentos da dívida externa somaram US$ 35 bilhões - valor 25% superior ao previsto para este ano. Em 2001, porém, o país conseguiu renovar 100% desses empréstimos.


